Brasil é o país com maior número de jornalistas mortos por Covid-19

Redação Notícias
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Brazilian President Jair Bolsonaro gives a press conference to announce the start of emergency aid for the COVID-19 pandemic at Planalto presidential palace in Brasilia, Brazil, Wednesday, March 31, 2021. (AP Photo/Eraldo Peres)
Os números estão no último dossiê que contabiliza as mortes dos profissionais, intitulado de "Jornalistas vitimados por Covid-19", divulgado nesta terça-feira (6), véspera do Dia do Jornalista (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)
  • Ao menos 169 jornalistas morreram em decorrência do coronavírus entre abril de 2020 e março de 2021, de acordo com dados da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ)

  • Nenhum outro país no mundo registrou tantas mortes na categoria

  • Os estados com maior número de mortes de jornalistas — 19 ocorrências cada — são o Amazonas, Pará e São Paulo

“Confesso que a ficha ainda não caiu, como eu vou fazer sem você? E a nossa princesinha? Quem vai cuidar da gente?”, escreveu a manicure Brunna Santos, em uma rede social. Ela era companheira do operador de câmera do SBT Robson Thiago Mesquita, conhecido pelo apelido Tio Chico, que morreu em decorrência da Covid-19, no dia 21 de abril do ano passado.

Aos 36 anos, Mesquita e Brunna tinham acabado de ter uma filha, Valentina, a quem ele não chegou a conhecer, segundo reportagem publicada na Agência Pública. “Reage logo e saia dessa cama, Valentina não vê a hora de conhecer o papaizinho dela. Volta logo, amor”, diz um post no Instagram feito por Brunna no dia do aniversário do marido, 10 dias antes de seu falecimento. 

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Tio Chico é um dos pelo menos 169 jornalistas que morreram em decorrência do coronavírus entre abril de 2020 e março de 2021, de acordo com dados da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ). Nenhum outro país no mundo registrou tantas mortes na categoria.

Os números estão no último dossiê que contabiliza as mortes dos profissionais, intitulado de "Jornalistas vitimados por Covid-19", divulgado nesta terça-feira (6), véspera do Dia do Jornalista.

De acordo com levantamento, em três meses, o número de mortes neste ano supera todo o ano de 2020, quando foram registradas 78 óbitos de abril a dezembro. Em 2021, são 86 vítimas até agora, ou 8,6% a mais do que no total do ano passado. 

As mortes acompanham a escalada da doença no país, que teve março como o pior mês da pandemia no Brasil, e registra mais de 13 milhões de brasileiros infectados pelo vírus e mais de 333 mil óbitos. No primeiro trimestre de 2021, a média de mortes de jornalistas foi de 28,6 por mês.

“Os 169 casos apurados até agora são resultado da necropolítica do governo federa. Os números mostram a urgência de a sociedade se posicionar contra o governo genocida de Jair Bolsonaro”, afirma o diretor do Departamento de Saúde da FENAJ, Norian Segatto, um dos responsáveis pela sistematização do dossiê.

Entre 51 e 70 anos e maioria homens

Na categoria, a maioria dos casos é na faixa etária dos 51 a 70 anos (54,9% das mortes) e entre homens, sendo que entre as vítimas fatais da doença, 9,8% são mulheres jornalistas.

Os estados com maior número de mortes de jornalistas — 19 ocorrências cada — são:

  • Amazonas

  • Pará

  • São Paulo

Na sequência, os estados com mais óbitos de profissionais da imprensa são:

  • Rio de Janeiro, com 15

  • Paraná, com 13

A presidente da federação, Maria José Braga, afirma que assim como os profissionais da saúde, a categoria dos jornalistas também "está se sacrificando para garantir informação de qualidade para a população brasileira".

“Os números são alarmantes, mas vamos continuar cumprindo nosso papel, porque informação verdadeira também ajuda a salvar vidas”, diz.

Giulianno Cartaxo, noticiário local Repórter DF
Giulianno Cartaxo, noticiário local Repórter DF

Embora os números sejam alarmantes, a FENAJ ressalta que os dados podem estar subnotificados, assim como em outras categorias profissionais no Brasil. 

Além disso, o dossiê que contabiliza as mortes é atualizado de maneira constante. Ou seja, o número poderá ser ainda maior.

Brasil ultrapassa as 4 mil mortes em 24 horas

O Brasil ultrapassou, nesta terça-feira (6), a marca de 4 mil mortes pela covid-19 pela primeira vez desde o início da pandemia. Segundo o balanço do Ministério da Saúde, o país confirmou de ontem para hoje 4.195 óbitos pela doença e 86.979 infecções. Com as notificações, o balanço nacional soma 336.947 vidas perdidas e 13.100.580 de casos confirmados.

Os números recordes refletem a soma de um aumento de novas mortes aos números represados no feriado de Páscoa. A tendência é de que as atualizações na casa das quatro mil fatalidades diárias se mantenham durante o mês de abril. A previsão leva em consideração o incremento de novos casos, parte deles evoluindo para casos graves e mortes, atrelado à superlotação dos hospitais, não proporcionando tratamentos adequados a todos os que necessitam de suporte.

Estados

A alta vista no balanço nacional era esperada já que São Paulo, estado que puxa boa parte das atualizações brasileiras, confirmou sozinho 1.389 mortes pela covid-19. O número de vidas perdidas é o maior já registrado em 24 horas em São Paulo.

Com mais de 20 mil fatalidades também estão o Rio de Janeiro, com 38.040 registros, seguido por Minas Gerais (25.795) e Rio Grande do Sul (21.018). Superando a marca de 10 mil mortes estão: Paraná (17.685), Bahia (15.918), Ceará (14.692), Pernambuco (12.479), Amazonas (12.136), Goiás (12.119), Santa Catarina (11.548) e Pará (10.825). Não há nenhum estado com menos de 1,3 mil mortes.

Com os números diários, a média móvel de casos e mortes do país voltou a subir, chegando a 63.210 infecções e 2.757 mortes diárias, nos últimos sete dias, segundo a análise do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass). A média móvel de mortes se mantém acima de dois mil óbitos há 21 dias; e a de casos continua acima de 60 mil infecções há um mês.