Brasil está cansado da polarização dos últimos anos, diz Alfredo Setubal

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*ARQUIVO* SAO PAULO, SP, BRASIL 06.11.2019 Alfredo Setubal (banqueiro). MASP faz Jantar - Festa beneficente anual com show da cantora Anitta, no MASP. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)
*ARQUIVO* SAO PAULO, SP, BRASIL 06.11.2019 Alfredo Setubal (banqueiro). MASP faz Jantar - Festa beneficente anual com show da cantora Anitta, no MASP. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Embora os prognósticos de especialistas e as pesquisas preliminares apontem para uma disputa bastante polarizada nas eleições de 2022, nomes do meio político que hoje já estão presentes no debate podem surpreender e conseguir galgar espaço na preferência do eleitor.

Ciro Gomes, Eduardo Leite, João Doria, Rodrigo Pacheco, Henrique Mandetta, eventualmente até o ex-ministro Sergio Moro. Foram esses os nomes apontados por Alfredo Setubal, presidente da holding Itaúsa, como os prováveis adversários que ainda podem vir a fazer frente ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou ao atual mandatário Jair Bolsonaro (sem partido) na corrida pela presidência no ano que vem.

“Não vejo ninguém de fora da política sendo candidato com alguma chance. Acredito que algum desses nomes possa capitanear um discurso de centro, que seja um discurso mais positivo, mais pró-Brasil”, afirmou Setubal, durante entrevista virtual nesta terça-feira (28). “O Brasil está um pouco cansado dessa polarização que a gente viu nos últimos anos”, acrescentou o executivo.

Em entrevista ao jornal O Globo, o presidente da Itaúsa disse que sua preferência pessoal é pelo governador de São Paulo, mas afirmou também que, seja quem for, o vencedor da disputa pegará um país em "frangalhos".

Embora a probabilidade de uma terceira via despontar na disputa seja baixa no momento, Setubal destacou no evento que, durante a campanha, o jogo pode mudar. “O cenário durante a campanha é muito diferente do cenário pré-eleitoral que estamos vivendo hoje”, afirmou.

Seja como for, Setubal disse também que a possível alternativa não significa que deva ser criada algum tipo de expectativa por um “salvador da pátria”.

O executivo lembrou que o Brasil tem enormes desafios históricos em áreas essenciais para o seu desenvolvimento, como economia, educação e meio ambiente, que não serão solucionados no curto prazo por qualquer um que ocupe o cargo de presidente da República.

A torcida, assinalou Setubal, é para que o presidente consiga dar um bom encaminhamento a esses desafios. “O que precisamos é de um país menos polemizado”, disse Setubal.

VENDA DE XP NO RADAR

O executivo afirmou ainda que, com a distribuição da participação do Itaú Unibanco na XP prevista aos acionistas do banco, a holding Itaúsa, que detém cerca de 38% das ações da instituição financeira, receberá cerca de 15% das ações da plataforma de investimentos.

Segundo Setubal, com o veto do BC (Banco Central) em relação aos planos iniciais do banco de assumir o controle da plataforma em 2033, a intenção é vender aos poucos no mercado a participação no negócio de Guilherme Benchimol.

“A XP é uma empresa que vem crescendo bastante, a gente acredita bastante nela, mas não faz parte do nosso plano estratégico de diversificação”, afirmou Setubal. “A tendência é que ao longo dos próximos anos a gente venda as ações da XP, devagar, sem pressionar o mercado, aproveitando as oportunidades", disse o executivo.

Ele acrescentou que os recursos obtidos com a venda poderão ser utilizados para fins como investir em outras empresas, recomprar ações da Itaúsa no mercado ou pagar dívidas.

“XP é um investimento que vamos administrar lentamente a saída, mas não faz parte do nosso processo de diversificação do portfólio.”

Setubal destacou que a diversificação que tem sido buscada na carteira de investimentos da Itaúsa não tem passado neste momento pelo setor de serviços financeiros. “Em serviços financeiros, a grande plataforma que a gente tem é o Itaú Unibanco”, disse o presidente do conglomerado, que tem também participação na Alpargatas, detentora da marca Havaianas.

O executivo apontou dois investimentos recentes da Itaúsa na área de utilidades públicas, nos setores de saneamento, por meio da Aegea, e de energia, via Copa Energia.

O marco regulatório do setor de saneamento, bem como as carências no setor de energia evidenciadas pelo risco da crise hídrica, foram lembradas pelo presidente da Itaúsa entre as razões que motivaram os investimentos.

Setubal destacou ainda que a Itaúsa tem hoje cerca de 900 mil acionistas diretos, responsável por quase ¼ do total de investidores na Bolsa brasileira, com uma média etária de 36 anos e 28% de mulheres.

“São pessoas que veem no mercado de capitais perspectivas de fazer uma poupança, guardar um dinheiro, ter uma perspectiva melhor”, afirmou.

O presidente da Itaúsa disse também que cada vez mais o filtro ESG é parte relevante da estratégia das companhias, em uma sociedade que exige que as empresas deem contrapartidas em aspectos ambientais, de educação e saúde, entre outros.

“Acho que o pior [em relação a pandemia] ficou para trás e vamos esperar de fato ir retomando a vida normal em todos os sentidos, em termos de trabalho, de atividades sociais. Vamos ver se em 2022 a gente retoma o convívio com todo mundo.”

DIVIDENDOS E JCP

Durante o evento, o presidente da Itaúsa lembrou também que, no ano passado, o CMN (Conselho Monetário Nacional) limitou a distribuição de dividendos pelas grandes instituições financeiras ao mínimo previsto de 25% do lucro, de modo a garantir a estabilidade do sistema financeiro na pandemia.

Para este ano, a expectativa é que o banco pague novamente um percentual parecido com o do ano passado, disse Setubal. “Mas acreditamos que, ao longo dos próximos anos, o banco volte a níveis maiores de payout, em torno de 40% a 50%”, afirmou o executivo.

O presidente da Itaúsa disse ainda que, pela proposta de extinção do pagamento de JCP (Juros sobre o Capital Próprio) contida na versão mais recente da reforma do IR (Imposto de Renda), o conglomerado poderá obter uma economia entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões por ano.

Isso porque esses valores são tributados por PIS e Cofins, que é a maior despesa individual da Itaúsa como um todo atualmente. A holding tem hoje uma ineficiência fiscal que deixará de existir, explicou Setubal. “A Itaúsa se beneficia da forma como está sendo proposta a reforma tributária”, afirmou o executivo.

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