Brasil está na contramão da história ao não garantir direitos a uberizados, afirma pesquisador

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Ao longo de mais de uma década como auditor do trabalho, o economista Vitor Araújo Filgueiras acumulou casos e conhecimento sobre o cotidiano dos trabalhadores e os abusos cometidos em diferentes empresas. Hoje, como professor da UFBA (Universidade Federal da Bahia), ele é taxativo ao dizer que a uberização das atividades profissionais radicaliza a precarização que já existia na terceirização do trabalho. E mais, considera que o Brasil está na contramão da história ao não garantir direitos aos empregados.

Em seu livro "É tudo novo, de novo: as narrativas sobre grandes mudanças no mundo do trabalho como ferramenta do capital", lançado pela editora Boitempo, o pesquisador argumenta que as narrativas que falam sobre um novo mercado de trabalho que precisa de novas regras escondem realidades de profunda precarização.

Nessa entrevista concedida à RFI, ele fala sobre a dificuldade de fiscalização e punição de empresas terceirizadas, os laços da cadeia de terceirização com formas de exploração que chegam ao trabalho escravo e sobre os riscos assumidos pelos trabalhadores ligados a plataformas.

Confira abaixo os principais trechos desta conversa:

RFI – No seu livro, você trata da chamada flexibilização dos direitos trabalhistas e as formas de trabalho terceirizado e uberizado. Para começar, o que são essas narrativas de novo e o que há de novo nelas?

Vitor Filgueiras – Há um conjunto de retóricas que as empresas e seus representantes têm mobilizado nos últimos anos com o intuito de, ao trazer a ideia da novidade, que as coisas estariam se transformando de forma estrutural no mercado de trabalho, [e que] trabalhadores e suas instituições deveriam se adaptar a essas ditas novidades.


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