Brasil está no caminho errado para cumprir Acordo de Paris sobre o clima (ONG)

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Fumaça sobe de um incêndio ilegal na floresta amazônica, ao sul de Novo Progresso, no estado do Pará, em agosto de 2020
Fumaça sobe de um incêndio ilegal na floresta amazônica, ao sul de Novo Progresso, no estado do Pará, em agosto de 2020

As emissões de gases de efeito estufa no Brasil aumentaram 9,6% em 2019 devido ao crescente desmatamento na Amazônia, colocando em risco os compromissos do país no Acordo de Paris sobre o clima, denunciou uma ONG ambientalista nesta sexta-feira (6).

O Brasil emitiu 2,17 bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera em todo o ano de 2019, um aumento de 9,6% em relação a 2018 (com 1,98 bilhão de toneladas), afirmou o grupo de entidades ambientalistas Observatório do Clima. O número coincide com o primeiro ano de governo do presidente Jair Bolsonaro.

"O crescimento das emissões no último ano foi puxado pelo desmatamento na Amazônia, que disparou no ano passado", aponta o relatório do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG). O documento estima que 72% das emissões se devem ao "uso da terra e à agricultura", incluindo o desmatamento, que aumentou 85% em 2019 em relação ao ano anterior.

Sob o Acordo de Paris de 2015, o Brasil se comprometeu a reduzir seu nível de emissões de CO2 de 2005 em 37% até 2025. No entanto, as emissões do ano passado foram "17% superiores" a essa meta, apontou o Observatório.

O Brasil também está a caminho de quebrar outro compromisso assumido pelo governo em 2010, o de reduzir as emissões para a faixa de 36,8% a 38,9% até o fim de 2020. O relatório estima que, este ano, o país ficará 9% acima da meta mínima, de 36,8%.

"A meta que tínhamos para 2020 era facilmente alcançável, não era absurda. Só sairíamos da meta se uma tragédia estivesse acontecendo, e ela está", denunciou Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório, muito crítico do governo Bolsonaro.

Mais de 7.890 km² foram desmatados na Amazônia brasileira entre janeiro e outubro, abaixo dos mais de 8.400 km² em 2018, mas muito acima do total de cada um dos quatro anos anteriores, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

lg/pt/esp/val/gm/ic/lb