Brasil estuda área de livre comércio com a China, diz Guedes

Marcello Corrêa

BRASÍLIA - O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quarta-feira que o Brasil está negociando a criação de uma área de livre comércio com a China. A declaração foi dada durante um seminário sobre o Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, blovo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

— Fizemos um acordo com a União Europeia e agora estamos conversando com a China sobre a possibilidade de criarmos uma free trade area, ao mesmo tempo em que falamos em entrar na OECD — disse o ministro, usando o termo em inglês para área de livre comércio.

Segundo fonte a par da negociação, as conversas partiram da China e estão ainda em estágio inicial. O Brasil tem hoje um fluxo de comércio com o gigante asiático de cerca de US$ 100 bilhões.

A criação de uma área de livre comércio com a China faz parte de uma agenda de abertura comercial que dominou o discurso de Guedes durante o evento, parte da programação especial da cúpula do Brics, que ocorre nesta semana em Brasília. Na fala, alternando entre o português e o inglês, o ministro disse que o Brasil quer “dançar com todo mundo”, porque chegou “atrasado à festa” da integração internacional.

— Não nos interessa guerras comerciais, tensão, incertezas. Ao contrário, ‘we are late to the party’ (estamos atrasados para a festa). ‘We will dance with everybody. We are open for business’ (Vamos dançar com todos, estamos abertos para negócios. Queremos que essas sejam parcerias frutíferas — afirmou Guedes.

Brasil quer aumentar a integração global

Para integrantes do NDB, que terá sede no Brasil, Guedes afirmou que o Brasil tem projetos para ampliar os investimentos do organismo multilateral no Brasil. O ministro citou como exemplo a construção de uma estrada para ajudar a escoar mercadorias para a China, pelo Oceano Pacífico.

— Temos uma parceria à frente muito importante. Primeiro porque nós temos noção do que precisamos. E segundo porque os senhores (do NDB) têm muito mais experiência de como fazer. E de como nos integrar a essas correntes globais de comércio. Temos ali o nosso governador de Rondônia (Marcos Rocha, que estava na plateia). Estávamos conversando, exatamente a respeito de como reduzir o tempo de transporte até a China da produção do Centro-Oeste e como isso pode acontecer através de uma transpacífica. A viagem à China de todos esse s grãos pode encolher em um terço se sairmos através do Peru — comentou Guedes.

Após a palestra, Guedes disse a jornalistas que o objetivo do Brasil é aumentar a integração global e disse que as turbulências na América Latina são, em parte, ligadas à falta de abertura comercial na região. O ministro destacou que há 3,7 bilhões de pessoas melhorando o padrão de vida no Oriente, enquando o Ocidente ficou para trás.— Está todo mundo subindo o padrão de vida, melhorando muito. Aquela metade de lá sobe sem parar o padrão de vida. Enquanto isso, a metade de cá, América Latina, fez ao contrário. Nosso padrão de vida está piorando, movimento, agitação, reclamação, cai presidente, ditadura, está uma confusão danada aqui na América do Sul, enquanto o outro lado do mundo sobe sem parar o padrão de vida. Quer dizer que algo estamos fazendo errado. Uma das coisas que estamos fazendo errado é ficarmos de costas para a integração global — disse o ministro.