Brasil volta a bater recorde de superávit comercial em 2017

Por Damian WROCLAVSKY
O presidente Michel Temer, em Brasília, em 22 de dezembro de 2017

O Brasil obteve um superávit comercial recorde de 67,001 bilhões de dólares em 2017, 40,5% acima do registrado no ano passado, graças a um aumento no volume e nos preços de suas exportações, segundo dados oficiais divulgados nesta terça-feira (2).

O excedente histórico do ano passado superou em 40,5% o de 2016, graças a um aumento tanto do volume como dos preços das principais exportações do país, de acordo com os dados oficiais divulgados pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

O resultado foi alinhado com os 66 bilhões de dólares projetados pelo mercado na pesquisa semanal, realizada pelo Banco Central e na faixa entre 65 e 70 bilhões de dólares, prevista pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

"A expectativa dos mercados era muito grande (...) e as exportações cresceram pela primeira vez após cinco anos", declarou o ministro Marcos Pereira, que lidera o MDIC.

Ele acrescentou que as importações tiveram sua primeira expansão em três anos no calor da melhora registrada pela economia brasileira depois de deixar uma das piores recessões de sua história.

"Isso mostra uma recuperação real da economia", disse Pereira.

O governo espera que a economia se expanda 1,1% em 2017 e 3% em 2018.

- Dólares -

Em dezembro de 2017, a balança teve um superávit de 4,99 bilhões de dólares (+13,2% interanual), o que contribuiu para deixar bem atrás o recorde anterior, de 47,683 bilhões de dólares de 2016.

As vendas ao exterior totalizaram 217,700 bilhões de dólares em 2017, um aumento de 18,5% em relação aos 185,200 bilhões no ano anterior, enquanto as importações acumularam 150,700 bilhões, um aumento de 10,5% em relação aos 137,500 bilhões do ano anterior.

"É bom para o Brasil porque garante a entrada de dólares. Temos um colchão de reserva muito bom e pode aumentar", ressaltou Raul Velloso, consultor econômico e ex-secretário de assuntos econômicos do Ministério do Planejamento.

O Brasil é um importante player do mercado internacional de soja, milho, minério de ferro, carne bovina e aviária e tem crescido no ramo do petróleo, que em 2016 e 2017 teve seus primeiros saldos anuais positivos da história.

Em bens industrializados, o desempenho se sustenta nas vendas de veículos automotores - com forte concentração na Argentina - autopeças e açúcar refinado, entre outros.

Os excedentes no intercâmbio com a China e com a Argentina foram motores da balança comercial de 2017. Já para 2018, tanto funcionários como economistas esperam uma redução do saldo comercial.

"A expectativa é de um superávit robusto, da casa de 50,000 bilhões de dólares, e seria nosso segundo recorde, porque as importações cresceram mais do que as exportações", disse o secretário de Comércio Exterior, Abrão Neto.

Margarida Gutierrez, economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro, se posicionou na mesma linha.

"A balança vai diminuir um pouco porque as importações devem crescer por um maior ritmo de expansão da economia. O PIB vai crescer com maior intensidade que em 2017 e isso vai impulsionar todas as importações de bens de capital, de consumo, insumos industriais", disse. "Mas não será uma queda grande".