Brasil garante mais 46,9 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 até março

Evelin Azevedo
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Editoria de Arte

RIO — Após a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) mudar as exigências para o pedido de uso emergencial das vacinas contra a Covid-19, o Ministério da Saúde anunciou nesta quarta-feira que negocia a aquisição de 30 milhões de doses das vacinas Sputnik V e Covaxin.

Na véspera, um estudo publicado na revista científica Lancet mostrou que a vacina, desenvolvida pelo laboratório russo Nikolay Gamaleya, atingiu uma eficácia de 91,6% na prevenção da Covid-19 nos testes de fase 3.

Com o anúncio das novas aquisições, a expectiva é que o Brasil tenha, até março, mais 46,9 milhões de doses de diversas vacinas contra a Covid-19. De acordo com o Ministério da Saúde, serão entregues 10 milhões de doses da vacina Sputinik V e 8 milhões da Covaxin até o próximo mês.

Atrasos e baixas na remessa da Covax

No começo desta semana, a expectativa era que o país tivesse até 48,8 milhões de doses extras no começo de março. No entanto, também nesta quarta, a aliança global Covax Facility anunciou que o Brasil deve receber 1,6 milhão de doses de vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela AstraZeneca com a Universidade de Oxford (Reino Unido) até o final de fevereiro. A quantidade prevista está abaixo da anunciada anteriormente pelo Ministério da Saúde. No último sábado, a pasta informou que o Brasil receberia de 10 a 14 milhões de doses de vacina por meio da Covax.

Outra baixa ocorreu em função de um atraso na entrega do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) para a produção da vacina da AstraZeneca/Oxford pela Fiocruz. Em janeiro, eram esperados pelo menos dois lotes do produto, que possibilitariam a produção de 7,5 milhões de doses cada um. A expectativa era de que um lote saísse da China no dia 8 de fevereiro. No entanto, não há certeza sobre a data. De acordo com a fundação, o primeiro lote está pronto para embarque, no local de fabricação, apenas aguardando a emissão da licença de exportação e a conclusão dos procedimentos alfandegários.

Sem saber quando que receberá o IFA, a Fiocruz admite que haverá impacto no cronograma de produção das vacinas. As primeiras vacinas fabricadas pela Fiocruz deveriam ser liberadas para distribuição entre 8 e 12 de fevereiro. Apesar do atraso, o plano de produção está mantido, com 100 milhões de doses da Oxford/AstraZeneca até julho. A fundação afirma que "está com todas as suas instalações prontas para iniciar a produção, mas ainda depende da chegada do IFA".

No entanto, um acordo está em andamento desde janeiro para o envio de outras 10 milhões de doses da vacina importadas do Instituto Serum, da Índia. Em dezembro, na tentativa de contornar o atraso da chegada do IFA, o governo federal fechou a aquisição de dois milhões de doses prontas da Covishield com o Serum, que também atrasaram pela demora da liberação da exportação pelo país indiano.

Sendo assim, além das 10 milhões de doses da Sputinik e 8 milhões da Covaxin, a expectativa também é por 17,3 milhões de doses da CoronaVac — cujo Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) para a produção de 8,6 milhões de doses chega nesta quarta à noite a São Paulo —, 1,6 milhão de doses que serão recebidas via Covax Facility e 10 milhões de doses negociadas pelo Ministerio da Saúde com o Instituto Serum, da Índia.

Novas vacinas ficarão a cargo do Butantan

Diferentemente do que ocorre com a Fiocruz, o cronograma do Instituto Butantan está mantido. A expectativa é de entregar 17,3 milhões de doses da CoronaVac até o início de março.

Está prevista a chegada da carga da Sinovac Biotech em São Paulo na noite desta quarta-feira. O prazo havia sido antecipado pelo presidente do Butantan, Dimas Covas, na semana passada. No domingo, o material já se encontrava no Aeroporto de Pequim. São 5.400 litros do IFA da CoronaVac, quantidade capaz de produzir 8,6 milhões de doses da vacina de vírus inativado.

Nesta segunda-feira, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou em coletiva de imprensa que a China liberou mais 5.600 litros dos insumos da vacina da Sinovac. O material é suficiente para produzir mais 8,7 milhões de doses, segundo Doria, e sua entrega será feita no próximo dia 10.

De acordo com Dimas Covas, diretor do Butantan, está em curso o processo para a liberação de mais 8 mil litros em Pequim, mas ainda não há data para o envio ao Brasil. Ele disse ainda que as vacinas produzidas com o lote de matéria-prima que chega nesta semana começarão a ser entregues ao Ministério da Saúde no próximo dia 25.

Com as duas cargas de insumos, a produção local deverá chegar a 600 mil doses diárias em São Paulo. A leva liberada nesta segunda-feira pelos chineses ficaria pronta no início de março. Até o momento, segundo o Butantan, a meta de entregar 8,7 milhões de doses ao Ministério da Saúde por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI) até o último domingo foi cumprida.

O Butantan estima que até agosto consiga entregar ao Programa Nacional de Imunização (PNI) os 100 milhões de doses de vacina contra o coronavírus negociados com governo federal.