Brasil recebe 2,3 milhões de kits de intubação vindos da China; Lote deve durar até 15 dias

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Lote de medicamentos deve abastecer UTIs pelo país por um período de 10 a 15 dias, de acordo com Ministério da Saúde - Foto: AP Photo/Andre Penner
Lote de medicamentos deve abastecer UTIs pelo país por um período de 10 a 15 dias, de acordo com Ministério da Saúde - Foto: AP Photo/Andre Penner
  • Brasil recebe lote de remédios para amenizar colapso em hospitais do país

  • Os mais de dois milhões de 'kits entubação' devem garantir abastecimento por até 15 dias, segundo o Ministério da Saúde

  • Criticado por cenário crítico, ministro da Saúde falou em "obrigação compartilhada"

O Brasil recebeu no fim desta quinta-feira (15), no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos (SP), um lote de 2,3 milhões de kits para intubação de pacientes com covid-19. Com a alta nas internações devido ao avanço da pandemia do novo coronavírus em todas as regiões, diversos estados registraram falta ou ameaça de desabastecimento desses medicamentos. 

De acordo com a Agência Brasil, os medicamentos foram fabricados em Lianyungang, na China. Os kits, que serão doados para o Ministério da Saúde, são compostos de sedativos, neurobloqueadores musculares e analgésicos opioides - insumos básicos para realizar a intubação.

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Os medicamentos foram trazidos ao país e foram comprados por um grupo de empresas privadas. O Ministério da Saúde afirmou nesta quinta-feira (15) que fará a distribuição em até 48h de medicamentos doados por empresas privadas. O volume deve garantir o abastecimento por 10 a 15 dias, segundo a pasta. 

Ainda conforme a agência, os 2,3 milhões de kits são um primeiro lote de um total de 3,4 milhões que devem chegar ao Brasil até o final do mês, numa tentativa de amenizar o risco de colapso relativo ao kit entubação. 

Durante toda a semana, estados se queixaram sobre a falta de ação do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) em providenciar os medicamentos aos municípios. Nesta quinta, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), divulgou ofícios em uma rede social para provar que alertou o Ministério da Saúde sobre o problema há mais de um mês

Ministro da Saúde promete mais kits, mas não dá prazo

Sem citar São Paulo, um dos estados mais críticos ao governo Bolsonaro na condução da pandemia, o. ministro falou em
Sem citar São Paulo, um dos estados mais críticos ao governo Bolsonaro na condução da pandemia, o. ministro falou em "obrigação compartilhada" por crise de desabastecimento - Foto: AP Photo/Eraldo Peres

Segundo o ministro Marcelo Queiroga, em coletiva nesta quinta, além do volume doado por empresas, a pasta deve receber, "em curto prazo", medicamentos de outros países, como a Espanha, em apoio para o que chamou de "situação de emergência". A pasta também finaliza uma compra junto à Opas (Organização Pan-Americana da Saúde).

O ministro não detalhou o volume previsto para a oferta e também não estipulou o prazo de entrega. Em nota, o Itamaraty aponta que a previsão é de entrega no final da próxima semana, mas também não informa a quantidade estimada.

Após ser questionado sobre a responsabilidade do governo federal na crise, Queiroga "dividiu" a culpa com gestores locais. 

"Os estados também tem que procurar esses medicamentos. Não é só empurrar isso para as costas do ministério, vamos deixar isso bem claro. Se instituições privadas buscam importações e trazem, por que grandes estados não fazem isso?"

Sem citar São Paulo, um dos estados mais críticos ao governo Bolsonaro na condução da pandemia, o. ministro falou em "obrigação compartilhada". 

"Temos um país que tem estados cuja sua economia é maior que muitos países, e tem elemento de captação desses medicamentos do exterior igual a de muitos países, de modo que essa obrigação deve ser compartilhada", ponderou.