Brasil passa de 165 mil mortes e média móvel chega a 484, a maior dos últimos 22 dias, diz boletim

Bruno Alfano
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Foto: Guilherme Pinto / Agência O Globo
Foto: Guilherme Pinto / Agência O Globo

RIO — O Brasil registrou neste sábado 818 mortes e 36.402 casos de Covid-19. Com isso, são 5.848.101infectados e 165.673 vidas perdidas desde o começo da pandemia. As informações são do boletim das 20h do consórcio de veículos de imprensa.

Já a média móvel subiu de 403 para 484. Esse é o maior patamar desde 23 de oubutro, há 22 dias.

Nos últimos 12 dias, a divulgação dos dados dos estados tem tido falhas por um problema no sistema do Ministério da Saúde, que sofreu um ataque hacker. Algumas unidades da federação, como o Rio e São Paulo, passaram dias sem publicar o número de mortes, por exemplo.

Neste sábado, todos divulgaram. Na última sexta-feira, no entanto, São Paulo e Paraná não disponibilizaram as informações alegando problemas no sistema.

— A gente está navegando num mar escuro e com tempestade — diz a sanitarista Ligia Bahia, da Fiocruz.

A falta de informações durante os últimos dias afetou diretamente a média móvel, que faz uma média entre o número de mortes do dia e dos seis anteriores. Ela é comparada com média de duas semanas atrás para indicar se há tendência de alta, estabilidade ou queda.

O cálculo da média móvel é um recurso estatístico para conseguir enxergar a tendência dos dados abafando o "ruído" causado pelos finais de semana, quando a notificação de mortes se reduz por escassez de funcionários em plantão.

O consórcio de veículos de imprensa é formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo e reúne informações das secretarias estaduais de Saúde divulgadas diariamente até às 20h.

A iniciativa dos veículos da mídia foi criada a partir de inconsistências nos dados apresentados pelo Ministério da Saúde.

Os problemas de divulgação de dados ocorrem em meio a indícios, como alta no número de leitos de UTI ocupados em diferentes cidades, de uma segunda onda de contaminações. Especialistas ainda temem que essa segunda onda de casos chegue num momento em que o país está mais vulnerável do que na primeira onda.

Médicos destacam alguns motivos de apreensão: prefeitos (e candidatos ao cargo) que relutam em considerar a volta de medidas de isolamento; sistemas de notificação de dados com problemas; e municípios com leitos dedicados a acolher doentes desmobilizados.

Parte do receio vem de exemplos do que está ocorrendo na Europa e nos EUA, onde uma segunda onda obrigou vários governos a fechar economias que já estavam reabertas.

Nas classes sociais mais altas, há sinal claro de reversão da tendência de queda. A rede de laboratórios clínicos Dasa, a maior do país, revelou ontem que houve aumento nos casos positivos da Covid-19, de 18,9% em outubro para 27,4% no início de novembro.

Ainda que exclua os dados da rede pública, o sinal é preocupante, sobretudo porque a demanda por testes diagnósticos também aumentou. “A média móvel na procura por exames cresceu 50% no RJ e 30% em SP, entre 10 de outubro e 10 de novembro”, informou a empresa, que tem 900 unidades laboratoriais espalhadas no país.