Brasil passa de 200 mil mortos pela Covid, e Bolsonaro diz que ‘a vida continua’: veja outras 37 frases do presidente

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Foto: Guito Moreto / Agência O Globo

O Brasil passou da triste marca de 200 mil vidas perdidas para o novo coronavírus desde o início da pandemia, em março. De acordo com o boletim do consórcio de veículos de imprensa, até a noite desta quinta-feira, dia 7 de janeiro, 200.163 óbitos foram registrados, com 7.930.943 casos confirmados. Mas esse número pode ser ainda maior. Cientistas da Fiocruz estimam que, por causa da subnotificação, o número de vítimas fatais seja 30% maior do que o reportado.

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Segundo especialistas, a falta de testagem em massa e de distanciamento social fizeram com que as projeções mais pessimistas fossem superadas. E, enquanto boa parte do mundo já começou a vacinar sua população contra o novo coronavírus, o Brasil segue sem uma data concreta para iniciar a imunização.

Na noite desta quinta-feira, quando o país passou das 200 mil mortes pela Covid-19, Bolsonaro falou:

— A gente lamenta, mas a vida continua.

Desde que o primeiro caso foi registrado no país, em 26 de fevereiro, passando pela primeira morte, confirmada em 12 de março, até o início deste ano de 2021, foram incontáveis declarações de Jair Bolsonaro que fazem pouco da pior crise sanitária e humanitária da história recente.

Ainda em março, quando a epidemia virou pandemia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) a considerou “a maior crise sanitária mundial da nossa época”. Mas, naquele mesmo mês , o presidente ainda dizia que a doença era uma “gripezinha”, que a pandemia “não era o fim do mundo”, que tudo mais parecia uma “histeria” e que a previsão era não passar de 800 mortes. Ao longo dos meses, ele não parou de dar declarações que menosprezavam a gravidade da pandemia. E agora mesmo, no último dia 5 de janeiro, soltou mais uma pérola. Ao dar um mergulho durante o recesso de fim de ano no litoral paulista, ele falou, em tom irônico: “Mergulhei de máscara para não pegar Covid nos peixinhos”.

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Abaixo, confira 37 frases de Jair Bolsonaro sobre a pandemia do novo coronavírus desde março de 2020.

Em março

“Tem a questão do coronavírus também que, no meu entender, está sendo superdimensionado o poder destruidor desse vírus”

“Obviamente temos no momento uma crise, uma pequena crise. No meu entender, muito mais fantasia, a questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propala ou propaga pelo mundo todo”

“Eu não sou médico, não sou infectologista. Do que eu vi até o momento, outras gripes mataram mais do que essa”

“Devemos respeitar, tomar as medidas sanitárias cabíveis, mas não podemos entrar numa neurose, como se fosse o fim do mundo”

“É uma questão grave, mas não podemos entrar no campo da histeria”

“Você cancelar jogos de futebol contribui para o histerismo”

“Já tivemos problemas mais graves no passado que não ‘teve’ essa comoção toda, ou repercussão toda, por parte da mídia brasileira”

“O número de pessoas que morreram de H1N1 foi mais de 800 pessoas. A previsão é não chegar aí a essa quantidade de óbitos no tocante ao coronavírus”

“O vírus chegou, está sendo enfrentado por nós e brevemente passará. Nossa vida tem que continuar”

“90% de nós não teremos qualquer manifestação caso se contamine”

“Pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria acometido, quando muito, de uma gripezinha ou resfriadinho”

“Eu acho que não. Eu acho que não vai chegar a esse ponto (uma situação tão grave quanto a americana). Até porque o brasileiro tem que ser estudado. Ele não pega nada. Você vê o cara pulando em esgoto ali, sai, mergulha, tá certo? E não acontece nada com ele”

“Alguns vão morrer? Vão morrer. Lamento, lamento. Essa é a vida”

“O vírus tá aí. Vamos ter que enfrentá-lo, mas enfrentar como homem, porra. Não como moleque. Vamos enfrentar o vírus com a realidade. É a vida. Tomos nós iremos morrer um dia”

“Depois da facada, não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar”

Em abril

“Esse vírus é igual uma chuva, vai molhar 70% de vocês, tá certo?”

“Tá com medinho de pegar vírus?”

“Eu não sou coveiro, tá certo?”

“Parece que está começando a ir embora a questão do vírus”

“E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias (seu nome do meio), mas não faço milagre”

“Lamento a situação que nós atravessamos com o vírus. Nos solidarizamos com as famílias que perderam seus entes queridos, que a grande parte eram pessoas idosas. Mas é a vida. Amanhã vou eu”

Em maio

“Estou cometendo um crime. Vou fazer um churrasco no sábado aqui em casa. Vamos bater um papo, quem sabe uma ‘peladinha’” (depois, ele falou que era ‘fake news’)

“Quem é de direita toma cloroquina. Quem é de esquerda toma Tubaína”

Em junho

“Eu lamento todos os mortos, mas é o destino de todo mundo”

“Pode ver que ninguém faleceu, pelo que eu tenho conhecimento, pode ser que esteja equivocado, por falta de UTI ou respirador”

Em julho

“Não senti nada desde o começo, se eu não tivesse feito teste eu nem sabia que tinha contraído o vírus. É uma coisa que acontece, tem que cuidar dos mais idosos e tocar a vida”

“Os mais jovens, tomem cuidado. Mas, se forem acometidos do vírus, fiquem tranquilos porque, para vocês, a possibilidade de algo mais grave é próxima de zero”

Em agosto

“A gente lamenta todas as mortes, já está chegando ao número 100 mil, talvez hoje. Vamos tocar a vida. Tocar a vida e buscar uma maneira de se safar desse problema”

Em setembro

“Quem tem um bom preparo, está bem de saúde, não tem que se preocupar, pô, é igual uma chuva. Se o cara tá com problema, qualquer chuvinha vira ali uma pneumonia e pode ter problema”

“A gente não pode injetar qualquer coisa nas pessoas e muito menos obrigar. Eu falei, inclusive, que ninguém vai ser obrigado a tomar vacina, e o mundo caiu na minha cabeça”

Em outubro

“A pandemia nos revelou os aprendizes de ditadores. Figuras nanicas, hipócritas, idiotas, boçais, achando que mandam no estado dele. ‘Vai tomar vacina’. Vai tomar você, vai tomar o que você entender, Coca-Cola, Tubaína”

Em novembro

“Agora tem essa conversinha de segunda onda”

“Tudo agora é pandemia. Tem que acabar com esse negócio, pô. Lamento os mortos, lamento, mas todos nós vamos morrer um dia”

“Não adianta fugir disso, fugir da realidade. Tem que deixar de ser um país de maricas. (...) Temos que enfrentar de peito aberto, lutar. Que geração é essa nossa?”

Em dezembro

“A pandemia está chegando ao fim. Estamos com uma pequena ascensão agora, o que chama de um pequeno repique, pode acontecer. Mas pressa para a vacina não se justifica”

“E passamos neste ano um momento dificílimo com a pandemia. Juntamente com os nossos colegas, ministros civis, nos comportamos muito bem. Não só na questão da economia, bem como na busca de diminuir o sofrimento de nossos irmãos”

Em janeiro

“Mergulhei de máscara também para não pegar Covid nos peixinhos”