Brasil pede na ONU combate à desinformação nas missões de paz

O Brasil propôs nas Nações Unidas, nesta terça-feira, melhorar a "comunicação estratégica" para combater a desinformação e as notícias falsas que prejudicam as missões de paz, especialmente em alguns países da África.

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O chanceler Carlos Alberto Franco França promoveu nesta terça o primeiro debate sobre o tema no Conselho de Segurança da ONU, instância que o Brasil preside durante este mês e à qual são subordinadas as missões de paz da organização.

— É hora de darmos prioridade à comunicação estratégica, fundamental para garantir o apoio político e público para que as missões de paz cumpram seus mandatos com eficácia — justificou o chefe do Itamaraty.

Em uma época em que a desinformação e as notícias falsas se tornaram uma "arma de guerra a mais", para o secretário-geral da ONU, António Guterres, a comunicação é, "mais do que nunca, central para o sucesso do nosso trabalho".

— Sabemos que a desinformação não só é enganosa, é perigosa e potencialmente mortal, [pois] fomenta abertamente a violência contra nosso pessoal e nossos parceiros e transforma nossa bandeira azul de um símbolo de segurança em um símbolo de ataque — disse Guterres no fórum.

Segundo um estudo recente, cerca de metade dos capacetes azuis considera que a desinformação e as notícias falsas repercutem nos resultados das operações e ameaçam a sua segurança.

Apesar de o Brasil defender o combate à desinformação na ONU, um relatório da organização não governamental Artigo 19, com escritório em nove países, inclusive o Brasil, mostra que o presidente Jair Bolsonaro emitiu 1.682 declarações falsas ou enganosas em 2020, ou seja, mais de quatro por dia.

Em 2021, a mesma ONG também conclui que Bolsonaro era a principal fonte de desinformação sobre a pandemia no Brasil. A partir de um levantamento baseado em pedidos de Lei de Acesso à Informação, a Artigo 19 classificou 35% das respostas do governo sobre a Covid-19 como “informação desonesta”.

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