Brasil perde posição para Nigéria e deve se tornar 7º mais populoso do mundo

*Arquivo* Manaus, AM, 01.07.2021 - Pessoas aguardam ônibus no bairro de Tarumã, em Manaus. (Foto: Bruno Kelly/Folhapress)
*Arquivo* Manaus, AM, 01.07.2021 - Pessoas aguardam ônibus no bairro de Tarumã, em Manaus. (Foto: Bruno Kelly/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Brasil deve abandonar em breve o posto de sexta nação mais populosa do mundo. Com crescimento acelerado, a Nigéria passará o país ainda este ano, desbancando-o para a sétima posição, de acordo com projeções de relatório da ONU publicado nesta segunda (11).

Calcula-se que o país chegue ao final desse ano com 215,3 milhões de habitantes. Já a nação da costa oeste da África alcançará 218,5 milhões. Chama atenção o ritmo de crescimento nigeriano, que há 50 anos tinha população equivalente a 60% a do Brasil no mesmo período.

Os números compõem o relatório World Population Prospects, cuja edição deste ano traz estimativas inéditas que levam em conta a pandemia de Covid. Para o Brasil, o documento ajuda a preencher uma lacuna de dados deixada pela ausência do Censo Demográfico, adiado por dois anos consecutivos --a última edição é a de 2010.

O Brasil deve atingir seu pico populacional em 2046, com 231,1 milhões de habitantes e, então, entrar em decréscimo, chegando ao final do século com cerca de 184,5 milhões --14% a menos do que tem hoje.

Assim, o país chega em 2100 fora da lista dos dez mais populosos do mundo --deverá estar na 11ª posição, seguido pelo arquipélago das Filipinas. Até lá, será desbancado por República Democrática do Congo, Estados Unidos, Etiópia, Indonésia, Tanzânia e Egito.

Consequência da crise sanitária, o país assistiu à diminuição da expectativa de vida, fenômeno que ocorreu em todo o mundo. No Brasil, porém, a queda foi maior. De 75,3 anos em 2019, a expectativa para os brasileiros foi a 72,8 no ano passado (queda de 2,5 anos). Globalmente, a queda média foi de 1,8 ano (de 72,8, foi para 71 anos).

Assim como no mundo, porém, o número tende a ser recuperado --no caso brasileiro, já a partir de 2023. As projeções, aliás, mostram que o país pode chegar a 2050 com uma expectativa de 81,3 anos. Cem anos antes, em 1950, quando o monitoramento passou a ser feito, calculava-se que o brasileiro viveria, em média, 48 anos.

Seguindo tendência demonstrada no relatório anterior, de 2019, o documento atual mostra que o ritmo de crescimento da população brasileira corresponde a quase metade do da média global --0,45% ao ano contra 0,84%, respectivamente. Daí o fato de a população entrar em decréscimo no país quatro décadas antes que a população mundial.

Já a Nigéria, para efeitos de comparação, tem média anual de crescimento de 2,3% e deve mais que dobrar de tamanho até o final do século, chegando a 546 milhões de habitantes e ocupando o terceiro lugar no ranking de mais populosos, atrás de Índia e China.

O fato de que tem diminuído o número de filhos proporcionalmente à quantidade de mulheres no Brasil é um dos que compõem a equação que explica o cenário do país. Em 2022, para cada mulher, nasce média de 1,6 criança --cifra que tende a se manter até o final do século. Há 60 anos, esse número era de 6 nascimentos por mulher.

O recém-lançado relatório mostra ainda o acelerado envelhecimento da população. Enquanto em 1950 só 2,4% dos brasileiros tinham mais de 65 anos, esse número chega próximo a 10% em 2022 e deve superar um terço da população brasileira ao fim do século, com 33,5% de idosos.

O crescimento é ainda maior no recorte de pessoas ainda mais velhas, com mais de 80 anos. Hoje esse grupo representa apenas 1,7% da população brasileira, mas o dado deve ter um salto de quase oito vezes e chegar a 14,8% da população no final do século.

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