Brasil perde vice-presidência no BID e fica fora do alto escalão do banco

CAMILA MATTOSO
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Brasil é o principal cliente do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e um de seus principais acionistas. A posição de destaque fez com que o país sonhasse em eleger o presidente da instituição, criada no pós-guerra para desenvolver os países latinoamericanos. Para atender a um pedido de Donald Trump, no entanto, o Brasil cedeu vaga, criando um problema diplomático com os vizinhos da região. Nesta sexta (13), o Brasil sofreu mais um revés. O novo presidente, o americano Maurício Claver-Carone, aliado de Trump e que recebeu o voto favorável do Brasil, retirou o país das vice-presidências do banco. Em vez de indicar um brasileiro, Claver-Carone optou pela hondurenha Reina Mejia para a vice-presidência-executiva, que, dizia-se, estava prometida ao Brasil. As demais vagas ficaram com o Equador, o Paraguai e com a Argentina. Ironicamente, o presidente argentino Alberto Fernández foi um dos principais organizadores da oposição a Trump na eleição do BID e foi derrotado. Claver-Carone ainda tentou negociar com o Brasil a permanência de um brasileiro no board. Queria o nome de Alexandre Tombini, que foi presidente do Banco Central no governo Dilma Rousseff, mas a ideia foi rejeitada pelo ministro Paulo Guedes (Economia) pelo passado petista do indicado. A vaga dele então ficou com o equatoriano Richard Martinez, que por sua vez enfrenta empecilho legal no seu país para assumir a vaga. O governo brasileiro ainda sonha com a possibilidade de que o trumpista apoie o Brasil na indicação de um nome para o BID Invest, braço de investimentos do BID. Mas com a vitória de Joe Biden o cenário é considerado mais difícil para integrantes da diplomacia brasileira e se torna ainda pior dada a resistência de Jair Bolsonaro em reconhecer a vitória do democrata. EUA e Brasil somam cerca de 20% dos votos no BID Invest, posição menor do que no BID (41%). Soma-se a isso o desgaste com os vizinhos por ter apoiado uma ruptura na eleição da instituição, que pela primeira vez tem um americano no comando, quebrando uma tradição construída ao longo de 60 anos.