Brasil perdeu R$ 466 bi com retração do PIB em dois anos, diz ministro do TCU

Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

A retração do Produto Interno Bruto (PIB) por dois anos sucessivos causou prejuízo de R$ 466 bilhões à economia brasileira. O cálculo foi feito pelo ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU), a partir dos dados de 2015 e 2016 , quando o conjunto dos bens e riquezas produzidas no país (PIB) encolheu 3,8% e 3,6%, respectivamente.

“A desgovernança causou um enorme prejuízo para o Brasil, que perdeu R$ 466 bilhões devido à perda de confiança e, consequentemente, de investimentos na nação”, afirmou o ministro, associando a falta de crescimento ao descumprimento da legislação.

“Todos perdemos com essa crise, que aconteceu em decorrência da falta de cumprimento das leis, especialmente da Lei de Responsabilidade Fiscal”, disse Nardes, durante a cerimônia de abertura do 3º Encontro Brasileiro das Cidades Históricas, Turísticas e Patrimônio Mundial, organizado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), em Brasília.

Para o ministro, a recuperação dos prejuízos e a retomada do crescimento vai demorar e exigirá reformas políticas.

“É difícil prever o futuro, mas é claro que teremos dificuldades pelos próximos cinco, seis anos. Com as recentes perdas, voltamos a uma situação econômica próxima da do final da década passada. Recuperar isso será um processo muito lento e dependerá de algumas reformas de que o país precisa e sem as quais não teremos como arcar com o chamado custo Brasil, que é muito alto”, disse o ministro à Agência Brasil.

Nardes defendeu a necessidade de órgãos de Estado trabalharem de forma coordenada e o TCU aferir as contas públicas. Ele criticou a falta de planejamento na elaboração de políticas e construção de obras públicas. “Gasta-se muito dinheiro de forma irregular no país, por não termos um planejamento adequado”, ressaltou, citando a ausência de políticas, programas ou diretrizes especificas para os municípios que abrigam patrimônios da humanidade.

“Não há priorização, nem uma coordenação. É nisso que queremos auxiliar o Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional]: fazer uma auditoria gratuita para quem vai tomar decisão. O trabalho do TCU visa orientar a quem quer que esteja no governo. O TCU tem que mostrar onde estão os gargalos da administração pública.”