Mulher inicia marcha de 100 km por liberdade de advogado detido

Pequim, 4 abr (EFE).- Li Wenzu, esposa do advogado de direitos humanos chinês Wang Quanzhang - detido e isolado pelas autoridades desde 2015 - iniciou nesta quarta-feira uma marcha de cerca de 100 quilômetros para pedir a liberdade de seu marido.

Li espera completar em 12 dias a distância entre as cidades de Pequim e Tianjin, onde acredita que seu marido está detido, para informar seu caso e renovar sua chamada pela liberdade de Wang, uma das vítimas da campanha do regime comunista contra advogados de direitos humanos.

A mulher publicou hoje em sua conta do Twitter imagens do primeiro dia de caminhada, na qual apesar do frio e do granizo que castigaram hoje Pequim e outras zonas do norte da China, conseguiu percorrer os primeiros 14 quilômetros.

Li iniciou esta marcha na data em que se completa mil dias desde 9 de julho de 2015, quando as autoridades chinesas iniciaram uma campanha contra advogados de direitos humanos que terminou com a detenção, condenação ou inabilitação de dezenas de advogados.

Wang, que defendeu a pessoas que denunciaram tortura policial durante as suas detenções ou a membros do movimento religioso Falun Gongo (proibido na China desde 1999), é um dos casos mais dramáticos, já que se sabe muito pouco sobre o seu paradeiro e as circunstâncias do seu cativeiro.

Outros colegas da chamada "Campanha 709" contra advogados chineses foram submetidos a detenção domiciliar e em algumas ocasiões também seus familiares ou se lhes obrigou a "confessar" publicamente delitos.

Li é acompanhada em sua marcha pela sua amiga Wang Qiaoling, esposa de outro advogado vítima da campanha (Li Heping), que em 2017 foi suspenso por três anos de seu emprego por "subversão", um delito com frequência usado por Pequim contra ativistas de direitos humanos ou dissidentes. EFE