Brasil registra 676 novas mortes, média móvel passa de 500 e é a maior dos últimos 35 dias, diz boletim

Bruno Alfano
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Foto: Sandro Pereira / Fotoarena/Agência O Globo
Foto: Sandro Pereira / Fotoarena/Agência O Globo

RIO - O Brasil registrou nesta terça-feira 32.262 novos casos e 676 novas mortes por coronavírus nas últimas 24 horas. Até agora, foram confirmados 5.909.002 casos e 166.743 vidas perdidas desde o princípio da pandemia, segundo o consórcio de veículos de imprensa.

A iniciativa é formada por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo e reúne informações das secretarias estaduais de Saúde divulgadas diariamente até às 20h. A iniciativa dos veículos da mídia foi criada a partir de inconsistências nos dados apresentados pelo Ministério da Saúde.

Já a média móvel de mortes, também verificada pelo boletim, foi de 557. Essa é a maior marca dos últimos 35 dias.

A "média móvel de 7 dias" faz uma média entre o número de mortes do dia e dos seis anteriores. Ela é comparada com média de duas semanas atrás para indicar se há tendência de alta, estabilidade ou queda. O cálculo é um recurso estatístico para conseguir enxergar a tendência dos dados abafando o "ruído" causado pelos finais de semana, quando a notificação de mortes se reduz por escassez de funcionários em plantão.

O boletim do Ministério da Saúde desta segunda-feira informou 216 novas mortes causadas por Covid-19 nas últimas 24h, totalizando 166.014 óbitos. Foram notificados 13.371 novos casos de coronavírus, elevando para 5.876.464 o número de infectados no país.

Dezessete estados apresentaram crescimento na média móvel de casos: Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo. Só houve queda em Roraima.

Já na média móvel de mortes, são 13 estados apresentando crescimento: Amapá, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. Só três caíram: Amazonas, Ceará e Sergipe.

O governo de São Paulo confirmou, nesta segunda-feira, um aumento de 18% nas internações por Covid-19 em todo o estado, em hospitais públicos e privados. Na semana passada, uma reportagem do GLOBO já havia demonstrado a preocupação de especialistas em relação ao salto de casos suspeitos da doença e sobre uma provável segunda onda em SP.

Na 46ª semana epidemiológica (semana passada), eram 859 pessoas internadas. Na 47ª (semana em curso), o número de hospitalizados em todo o estado passou para 1.009. O aumento das internações e o "apagão" de dados do coronavírus em função de uma pane no sistema do Ministério da Saúde fizeram com que o governo paulista adiasse a reclassificação do estado no Plano São Paulo.

Em outubro, 76% do estado deixou a fase amarela e avançou para a verde, o que permitiu mais medidas de flexibilização. Nesta segunda, explicou o governo, a fase verde poderia atingir até 90% do estado, mas a decisão é de adiar a avaliação para 30 de novembro.

A taxa média de transmissão (Rt) da Covid-19 no Brasil foi de 1,1 na última semana, estima o Imperial College de Londres em levantamento divulgado nesta terça-feira. Segundo números da universidade britânica, referentes ao intervalo encerrado na última segunda-feira, o índice brasileiro cresceu 0,33 e voltou praticamente ao mesmo patamar de duas semanas atrás. O avanço do novo coronavírus sugere que o país saiu mais uma vez da tendência de desaceleração do patógeno.

O atual índice do Rt, também chamado de R0, indica que cada 100 pessoas contaminadas contagiam outras 110. A taxa de contágio é uma das principais referênciais para acompanhar a evolução epidêmica do Sars-CoV-2 no Brasil. Quando abaixo de um, o índice indica tendência de estabilização.

Uma segunda onda não é descartada pelos pesquisadores brasileiros. E uma eventual vacinação vai demorar acontecer.

A farmacêutica americana Moderna anunciou que sua vacina contra o coronavírus é 94,5% eficaz. A informação, uma notícia positiva na corrida pelo imunizante contra a Covid-19, foi dada após uma análise inicial dos resultados do estudo, que segue na Fase 3, a final.

Os pesquisadores informaram ainda que os resultados foram melhores do que eles 'ousavam imaginar', mas que a vacina provavelmente não estará disponível em larga escala antes de março.

A Moderna é a segunda empresa ocidental a relatar dados preliminares sobre uma vacina aparentemente bem-sucedida, oferecendo esperança em uma pandemia que infectou mais de 53 milhões de pessoas em todo o mundo e matou mais de 1,2 milhão. A Pfizer, em colaboração com a BioNTech, foi a primeira, relatando na semana passada que sua vacina era mais de 90% eficaz.