Brasil registra mais 449 mortes por coronavírus e 6.276 novos casos em 24 h

RENATO MACHADO, NATÁLIA CANCIAN E RICARDO DELLA COLETTA

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Brasil registrou 449 novas mortes nas últimas 24 horas, segundo divulgou o Ministério da Saúde na tarde desta quarta-feira (29). É o segundo número mais alto diário de novos óbitos.

Na terça (28), o Brasil bateu o recorde de mortes registradas em 24 h, com 474 novas vítimas, e ultrapassou a China no número total de óbitos causados pelo novo coronavírus. O recorde anterior do Brasil era de 407 vítimas em 23 de abril.

No total, o país registra 5.466 óbitos por Covid-19. A China, de onde o novo vírus é oriundo, registra 4.637 mortos, a maioria em Wuhan, na província de Hubei, segundo a Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, que monitora a pandemia.

O Brasil é agora o nono país com mais vítimas no mundo. Em número de pessoas com a infecção, ocupa o 11º lugar, com 78.162 —nas últimas 24 horas foram 6.276 novos casos— imediatamente atrás da China, que tem 83.940 casos.

O estado de São Paulo segue em uma tendência de forte alta no número de mortos. O estado mais populoso do país apresenta um total de 2.247 mortos. O Rio de Janeiro aparece na sequência com 794 mortos. Ou seja, apenas esses dois estados apresentam mais da metade do número total de óbitos em todo o país.

Pernambuco é o terceiro com maior número de mortos, com 538 vítimas desde o início da pandemia do novo coronavírus. Ceará e Amazonas aparecem na sequência, com respectivamente 441 e 380 casos.

Na abertura da entrevista coletiva sobre as ações de combate ao novo coronavírus, o ministro da Casa Civil, Walter Souza Braga Netto, apresentou dados de ajuda ao Amazonas e para toda a região Norte, rebatendo críticas de que o governo federal não vem atendendo as reivindicações.

De acordo com o ministro, o governo federal repassou para a região Norte 55 respiradores, 490 mil máscaras, 47 mil testes rápidos para detectar o novo coronavírus, além de 29 profissionais da Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde).

Em relação ao total de casos, São Paulo também lidera com 26.158 registros do novo coronavírus confirmados. O Rio de Janeiro apresenta até o momento 8.869 casos. Na sequência, aparecem Ceará, com 7.267; Pernambuco, com 6.194; e Amazonas, com 4.801. ​

A entrevista à imprensa desta quarta não contou com a participação do ministro da Saúde, Nelson Teich, que participou de uma audiência virtual com o Senado.

Questionado sobre a disposição do governo de manter a reabertura da economia, apesar do recorde de mortes registrado no dia anterior, com 474 óbitos, Braga Netto informou que o Ministério da Saúde está na fase final da elaboração de uma nova diretriz para estados e municípios que queiram abandonar as políticas de distanciamento social.

"Primeiro é o seguinte: o governo federal não vai determinar nada. Vai fazer um protocolo genérico. De acordo com a decisão do Supremo Tribunal Federal, o STF, estados e municípios têm a sua independência também", disse o ministro, reforçando a disposição em retomar as atividades econômicas.

"Não mudou. A decisão do governo continua a mesma: dentro do possível, o mais rápido possível, nós vamos fazer. Agora essa posição é definida tecnicamente pelo Ministério da Saúde", afirmou.

Questionado na terça à noite sobre o número alto de óbitos, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse, em entrevista na porta do Palácio da Alvorada: "E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?".

"Eu sou Messias, mas não faço milagre", completou ele, dizendo ainda que cabia ao ministro da Saúde explicar os números.

Depois de questionar e ouvir que sua entrevista estava sendo transmitida ao vivo em redes de TV, Bolsonaro deu uma uma declaração mais amena sobre o assunto: "Lamento a situação que nós atravessamos com o vírus. Nos solidarizamos com as famílias que perderam seus entes queridos, que a grande parte eram pessoas idosas, mas é a vida. Amanhã vou eu. Logicamente que a gente quer, se um dia morrer, ter uma morte digna, né? E deixar uma boa história para trás", disse.

Nesta quarta, Bolsonaro criticou as notícias que relatam sua entrevista na noite anterior e passou a culpa das mortes para os governadores.

"As medidas restritivas são a cargo dos governadores e prefeitos. A imprensa tem que perguntar para o Doria porque tem mais gente perdendo a vida em São Paulo. Perguntar para ele que tomou todas as medidas restritivas que ele achava que devia tomar", disse Bolsonaro em menção ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), seu virtual adversário em 2022.

"Não adianta a imprensa querer botar na minha conta estas questões que não cabem a mim. Não adianta a Folha de S.Paulo, O Globo, que fez uma manchete mentirosa, tendenciosa."