Brasil registra quase 100 mil casos de Covid-19 num único dia, número recorde na pandemia, e 2.639 mortos

Bruno Alfano
·3 minuto de leitura

RIO — O Brasil registrou nesta quinta-feira 2.639 mortes por Covid-19. Agora são 303.726 vidas perdidas para o coronavírus desde o começo da pandemia. A média móvel foi de 2.276 mortos, a segunda queda consecutiva após o país bater recordes em 26 dias consecutivos.

Desde de as 20h de segunda-feira, 97.586 casos foram registrados, o número mais alto desde o começo da pandemia, elevando para 12.324.765 o total de infectados. A média móvel foi de 76.738 diagnósticos positivos, 8% maior do que o cálculo de 14 dias atrás e também um recorde histórico.

Vinte e três estados atualizaram seus dados sobre vacinação contra a Covid-19 nesta quarta-feira. Em todo o país, 14.074.577 pessoas receberam a primeira dose de um imunizante, o equivalente a 6,65% da população brasileira. A segunda dose da vacina, por sua vez, foi aplicada em 4.515.631 pessoas, ou 2,13% da população nacional.

Os dados são do consórcio formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo e reúne informações das secretarias estaduais de Saúde divulgadas diariamente até as 20h. A iniciativa dos veículos da mídia foi criada a partir de inconsistências nos dados apresentados pelo Ministério da Saúde.

Em nota, o estado de Goiás informou que desde o início desta semana há relatos de instabilidade no Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe), sistema oficial do Ministério da Saúde para registro dos casos e óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). "Na quarta-feira, por exemplo, foi observado um número menor de óbitos registrados no Estado. A possível causa foi a dificuldade de salvar e atualizar as fichas de notificações. Assim, essa situação pode ter impactado no represamento de dados que, ao serem atualizados, culminaram no quantitativo de mortes registradas nesta quinta-feira"informou.

O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira que entregará mais 4,2 milhões de doses de vacinas. Do total, 3,2 milhões são da Coronavac, fabricada no Brasil pelo Instituto Butantan, e 1 milhão da AstraZeneca/Oxford, importadas da Coreia do Sul e que formam a primeira remessa adquirida pelo Brasil por meio do consórcio Covax Facility.

Segundo a pasta, a previsão é de que as entregas ocorram a partir desta quinta-feira, podendo se estender até sábado. A distribuição é feita de forma proporcional e igualitária a todas as unidades da Federação.

Com as novas entregas, será possível avançar em mais um grupo prioritário, formado pelos idosos entre 65 e 69 anos, além de atender a parcelas com ordem de preferência que ainda não tenham sido 100% imunizadas, como trabalhadores da saúde, idosos entre 70 e 74 anos e comunidades quilombolas.

O site do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep Gripe), que atualiza informações da doença, passou a pedir mais dados das vítimas, como CPF, número do cartão SUS, nacionalidade e se tomou ou não vacina contra a Covid.

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) requisitaram ao Ministério da Saúde a retirada temporária da obrigatoriedade do preenchimento dos campos novos. A pasta afirmou que, em nota, que "foi suspenso o preenchimento obrigatório de alguns campos de identificação" para a notificação de mortes.

A mudança no sistema causou instabilidade no site, o que fez alguns estados apresentarem dificuldade de registrar novos óbitos.

O novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que não partiu dele a ordem para modificação na forma que a pasta contabiliza os casos da Covid-19.

— Depois que eu sair daqui nós vamos observar o que está acontecendo. Eu não sou maquiador, eu sou médico. Minha função não é maquiagem, é salvar vidas. Precisamos criar um ambiente novo, de harmonia — afirmou, ao ser questionado em coletiva de imprensa sobre a alteração.