Brasil registrou cerca de 195 mil mortes e 7,6 milhões de casos de Covid-19 em 2020

Renato Grandelle
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Foto: Ellan Lustosa/Código 19/Agência O Globo

RIO — O Brasil encerra o ano de 2020 com o registro de 55.811 novos casos e 1.036 novas mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas. Agora, o país conta com 7.675.781 ocorrências e 194.976 óbitos notificados desde o início da pandemia, segundo boletim do consórcio de imprensa.

Foi o terceiro dia seguido em que o Brasil registrou mais de mil óbitos. Na terça-feira (29), o país notificou 1.075; na quarta-feira (30), 1.224, o maior número desde 20 de agosto.

A iniciativa é formada por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo e reúne informações divulgadas pelas secretarias estaduais de Saúde em um boletim divulgado às 20h.

A média móvel de óbitos, também medida pelo levantamento, foi de 706, uma queda de 6% em relação a 14 dias atrás. A média móvel de casos, por sua vez, ficou em 35.907, uma redução de 23% comparada ao mesmo período.

A "média móvel de 7 dias" faz uma média entre o número de mortes do dia e dos seis anteriores. Ela é comparada com média de duas semanas atrás para indicar se há tendência de alta, estabilidade ou queda. O cálculo é um recurso estatístico para conseguir enxergar a tendência dos dados abafando o "ruído" causado pelos finais de semana, quando a notificação de mortes se reduz por escassez de funcionários em plantão.

Foram encontrados em São Paulo dois casos de coronavírus provocados pela nova variante identificada inicialmente no Reino Unido. A cepa B.1.1.7 do Sars-CoV-2, mais contagiosa, foi detectada pelo laboratório Dasa e comunicada ao Instituto Adolfo Lutz e à Vigilância Sanitária. A identidade dos pacientes foi preservada, mas os pesquisadores afirmam que são "casos com contato com o Reino Unido".

Cientistas pontuam que mutações em coronavírus são comuns e não há evidências de que a variante provoque casos mais graves ou aumente a mortalidade pela doença. Quanto à vacinação, essas mutações não devem interferir na eficácia das doses.

Devido ao aumento de 68% nos casos de coronavírus ao longo de dezembro, na comparação com novembro, o governador João Doria estendeu a quarentena no estado até 7 de fevereiro. Os registros de óbitos passaram de 125.526 para 210.425 no mês mais recente. As mortes causadas pela doença no estado subiram 57%, passando de 2.784 para 4.382.

Em nota ao GLOBO, o Ministério da Saúde admitiu fracasso no primeiro pregão eletrônico realizado para a compra de seringas e agulhas para a vacinação contra a Covid-19 e fala na realização de novos certames e pregões para tentar adquirir o material necessário. Nas redes sociais, a pasta diz ser "fake news" a informação de que conseguiu garantir apenas 2,4% dos itens desejados no pregão eletrônico realizado nesta segunda-feira.

A pasta afirmou que fará "novos certames" e que itens da compra não foram realizados "porque os lances ofertados pelos licitantes ficaram superiores ao preço estimado pelo Ministério da Saúde e mesmo com tentativas de negociação não foi possível chegar ao valor estabelecido, bem como alguns licitantes não apresentaram os documentos de qualificação técnica exigidos no item 8 do Termo de Referência do certame e consequentemente tiveram suas propostas canceladas".

Houve, também, o caso de uma empresa que venceu uma proposta, mas que ainda precisa ter sua "habilitação técnica" avaliada pelo ministério.

A Fiocruz deve fazer o pedido de uso emergencial da vacina da Universidade de Oxford e da farmacêutica AstraZeneca na próxima semana. Aprovado nesta quarta-feira (30) no Reino Unido, o imunizante é parte do Plano Nacional de Imunização (PNI) do governo federal.

Em entrevista à CNN Brasil, Nísia Trindade, presidente da fundação, ressaltou que o pedido de uso emergencial se reserva a públicos específicos. Ele será feito paralelamente ao processo de submissão contínua, que tem por objetivo aprovar o uso padrão da vacina. Neste caso, o pedido deverá ser feito à Anvisa até 15 de janeiro.

Em negociação com a Anvisa, a Pfizer divulgou que considera fazer pedido de uso emergencial no Brasil de seu imunizante, já aprovado no Reino Unido, EUA e União Europeia.

A empresa adiantou que fará nova reunião técnica com a agência e, com base nessas discussões, avaliará a “possibilidade de solicitar o uso emergencial”.