Milhares de bolsonaristas protestam em dia tenso

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Dezenas de milhares de manifestantes se reuniram nesta terça-feira (7), dia da Independência, nas principais cidades do país para expressar apoio ao presidente Jair Bolsonaro, que tenta mobilizar suas bases, em dia tenso em que marchas opositoras também foram convocadas.

Os atos acontecem sob importantes dispositivos de segurança para proteger os edifícios públicos e prevenir episódios de violência, principalmente em Brasília e São Paulo.

Em Brasília, protegida por 5 mil policiais, a jornada começou com o ato oficial de hasteamento da bandeira no Palácio do Alvorada.

Mas Bolsonaro não esperou o fim da cerimônia: subiu em um helicóptero para sobrevoar a concentração de seus partidários na Esplanada dos Ministério.

Ali, milhares de pessoas se reuniram com bandeiras do presidente, rezaram e pediram o impeachment dos juízes do Supremo Tribunal Federal (STF) que abriram investigações contra Bolsonaro.

"Nossa bandeira nunca será vermelha", diziam os manifestantes, em alusão à cor do Partido dos Trabalhadores (PT) dos ex-presidentes Luis Inácio Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016).

"Vim aqui lutar pela nossa liberdade, a libertação do Brasil dessa corja imunda de políticos corruptos do STF. Bolsonaro tem nosso apoio para tirar essa corja imunda do Supremo Tribunal Federal", declarou à AFP o agente de segurança Márcio Souza, de 45 anos, com uma camisa amarela com o rosto do presidente.

Na segunda-feira à noite, centenas de manifestantes já estavam reunidos na capital. Depois de furar o bloqueio policial, muitos deles entraram com caminhões e outros veículos na Esplanada dos Ministérios.

"Acabamos de invadir! A polícia não conseguiu conter o povo! E amanhã vamos invadir o STF", gritava um dos manifestantes, em um vídeo divulgado nas redes sociais.

- Mobilização no Rio de Janeiro -

No Rio de Janeiro, vários milhares de seguidores também desfilaram na praia de Copacabana com bandeiras brasileiras em apoio ao presidente, constatou a AFP.

Apesar de afirmar que o objetivo das marchas é defender a liberdade, alguns dos apoiadores de Bolsonaro, que se organizaram através das redes sociais, usam palavras de ordem a favor de uma "intervenção militar" liderada por Bolsonaro.

O rumo das mobilizações é incerto e monopolizou o debate público no Brasil, com alertas para evitar algo semelhante à invasão do Capitólio dos Estados Unidos em janeiro por partidários do então presidente Donald Trump.

- "Ruptura institucional" -

Bolsonaro afirmou nos últimos dias que os protestos serão um ultimato aos magistrados da mais alta corte, contra os quais está em pé de guerra há semanas, após terem iniciado várias investigações contra ele e seu entorno, por divulgação de informações falsas, entre outras coisas. Ele chegou a citar a possibilidade de uma "ruptura institucional".

O ex-paraquedista participará à tarde de atos em São Paulo, onde milhares se reuniram na Avenida Paulista.

A três quilômetros dali, no Vale do Anhangabaú, está agendada a principal manifestação da oposição da megalópole sob o lema “Fora Bolsonaro”.

Para Geraldo Monteiro, cientista político da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o presidente está apostando "tudo ou nada" depois de ter esticado a corda ao máximo com seus recorrentes ataques ao sistema eleitoral, ao Supremo Tribunal Federal e ao Congresso.

- Policiais manifestantes -

Entre os temores dos especialistas em segurança está a possível presença entre os manifestantes de policiais armados, classe que apoia amplamente o presidente.

Segundo levantamento divulgado domingo pelo jornal O Globo, 30% dos policiais tinham a intenção de sair às ruas nesta terça-feira, embora a legislação os impeça de participar de manifestações políticas, mesmo em dias de folga.

Bolsonaro criticou abertamente na semana passada os juízes e governadores que anunciaram medidas para impedir a participação de policiais nas manifestações.

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