Brasil se propõe a 'reconstruir pontes' com América Latina, EUA, China e Europa, diz Vieira

O Brasil se propõe a "reconstruir pontes" com os países latino-americanos e do Caribe, mas também com grandes potências, como Estados Unidos, China e Europa, disse o chanceler Mauro Vieira, em entrevista divulgada neste sábado pela agência oficial argentina Télam.

“As instruções iniciais do presidente foram claras quanto a reconstruir pontes não apenas com a América Latina e a África, mas também com Estados Unidos, China e Europa, com o mesmo grau de importância e prioridade”, assinalou Vieira, às vésperas da sétima reunião de cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que será realizada na próxima terça-feira em Buenos Aires.

O ministro brasileiro explicou à Télam que "uma das primeiras decisões" do governo Lula foi "voltar à Celac", fórum que reúne 33 países da região, do qual o Brasil havia se retirado por decisão do presidente Jair Bolsonaro. O país pretende dar uma amostra de "compromisso com os espaços de diálogo e acordo regional", disse Vieira.

O chanceler defendeu a decisão do Brasil de normalizar as relações com Venezuela e Cuba. "Só vejo vantagens", ressaltou, ratificando que o país terá um embaixador em Havana.

"As relações com a Venezuela foram rompidas durante o governo anterior (...) É algo impensável para a nossa política externa, que sempre privilegiou o diálogo para além de eventuais diferenças", observou Vieira, que espera que "a embaixada e o consulado do Brasil em Caracas voltem a funcionar o quanto antes".

O chanceler brasileiro destacou as visitas oficiais de Lula a seus pares Alberto Fernández, da Argentina, na segunda-feira, e Luis Lacalle Pou, do Uruguai, na quarta. "Devemos conversar com Argentina, Uruguai e Paraguai sobre o presente e o futuro do Mercosul e fazer os ajustes necessários no diálogo com os empresários de nossos países", declarou.

Fundado em 1991, o Mercosul vive uma nova crise, em meio à tensão com o Uruguai, que iniciou negociações para um TLC bilateral com a China sem o consentimento dos demais integrantes do bloco, que entendem que o regulamento interno do grupo exige essa aprovação.

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