Brasil será o 1º país do G-20 a subir juros, na contramão das principais economias do mundo

Vitor da Costa
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O Comitê de Política Monetária (Copom) anuncia, nesta quarta-feira (dia 17), sua decisão sobre a Selic, a taxa básica de juros, que está na mínima histórica de 2% ao ano há sete meses. O mercado aposta numa alta de 0,5 ponto percentual, movimento que colocará o Banco Central (BC) brasileiro na contramão das principais autoridades monetárias do mundo.

Os bancos centrais de vários países, dos EUA ao Japão, se reúnem a partir desta quarta-feira para decidir sobre taxas de juros. Serão ao menos 11 anúncios até o fim da semana. Enquanto o BC americano deve adotar postura mais cautelosa, mantendo a taxa atual, o BC brasileiro deve ser o primeiro a elevar os juros entre os países do G-20 (que reúne as principais economias do mundo).

A Turquia, onde os juros estão em 17% ao ano, também deve elevar a taxa na sexta-feira.

No Brasil, será a primeira elevação da Selic desde 2015, num momento em que a economia está fragilizada, com agravamento da pandemia e desemprego elevado. Entre as explicações para a retomada da alta dos juros estão o aumento da inflação e a escalada do dólar.

A elevação dos juros já está precificada pelo mercado, restando saber qual será o ritmo do aperto. Por esse motivo, não somente a decisão de hoje é importante, mas também o comunicado que o Copom, ligado ao Banco Central irá emitir.

Levantamento feito pelo GLOBO com 16 instituições financeiras e consultorias mostra que a maior parte aposta numa alta de 0,5 ponto percentual. O aumento da Selic para 2,5% é esperado por 15 das instituições consultadas pelo GLOBO. Um delas, a Novus Capital, projeta aumento de 0,75 ponto percentual.

Para o fim do ano, o patamar de 5% é estimado por seis consultorias. A marca de 4% é mencionada por quatro e a de 4,5% é estimados por três.

O Boletim Focus divulgado na segunda-feira pelo Banco Central, que reúne expectativas de analistas de mercado, prevê a Selic em 4,5% ao fim de 2021.

A inflação medida pelo IPCA surpreendeu ao ficar em 0,86% em fevereiro, bem acima das expectativas do mercado. Foi o maior resultado para o mês desde 2016. Com isso, as projeções para a inflação e Selic para o fim do ano também foram elevadas.