Brasil supera marca de 4 mil mortes por Covid em um dia; situação crítica deve seguir

Gabriel Araujo
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Enterro de vítima da Covid-19 em cemitério de Porto Alegre

Por Gabriel Araujo

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil superou pela primeira vez a marca de 4 mil mortes por Covid-19 em um único dia, registrando nesta terça-feira um recorde de 4.165 óbitos, o que eleva o total de vítimas fatais da doença no país a 336.947, informou o Ministério da Saúde.

A máxima anterior de óbitos em um período de 24 horas havia sido computada no último dia 31 de março, quando houve 3.869 mortes.

Além disso, o país também contabilizou 86.979 novos casos de coronavírus, com o total de infecções confirmadas avançando para 13.100.580, de acordo com o ministério.

Embora o recorde desta terça possa refletir o represamento de dados durante o final de semana prolongado, o Brasil já registrava sucessivos recordes de óbitos e liderava o mundo no número médio diário de novas mortes mesmo antes do feriado da Sexta-feira Santa, sendo responsável atualmente por uma em cada quatro vítimas da Covid-19 em todo o mundo a cada dia, segundo levantamento da Reuters.

Em termos absolutos, as contagens de casos e óbitos do Brasil ficam abaixo apenas das dos Estados Unidos. Especialistas ouvidos pela Reuters indicaram, porém, que o país pode superar o recorde dos EUA de mais de 5 mil mortes em um único dia e caminha para se tornar o lugar do mundo com o maior número de vítimas fatais da doença.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) afirmou em boletim publicado nesta terça-feira que a pandemia pode permanecer em níveis críticos ao longo do mês de abril, uma vez que a circulação do vírus e de suas variantes segue intensa --com uma aceleração na última semana epidemiológica (SE)-- e os sistemas de saúde permanecem sobrecarregados.

"Na última SE se observou um novo aumento da taxa de letalidade, de 3,3% para 4,2%, o que pode ser consequência da falta de capacidade de se diagnosticar correta e oportunamente os casos graves, somado à sobrecarga dos hospitais", disseram os pesquisadores da Fiocruz, que defendem medidas de bloqueio de circulação ou lockdowns para que a velocidade de propagação do vírus seja reduzida.

Segundo a fundação, 19 Estados e o Distrito Federal estão com taxas de ocupação de leitos de UTI para Covid-19 acima de 90%, enquanto quatro Estados apresentam índices entre 80% e 89% e apenas três (Amazonas, Roraima e Paraíba) têm ocupação abaixo de 80%.

Estado mais afetado pelo coronavírus em números absolutos, São Paulo atingiu as marcas de 2.554.841 casos e 78.554 mortes, incluindo um novo recorde de 1.389 óbitos nas últimas 24 horas.

O governo paulista indicou, no entanto, que a taxa de internações por Covid-19 no Estado, onde a chamada fase emergencial --com medidas restritivas mais rígidas-- vigora até 11 de abril, passou a desacelerar.

"Hoje, 6 de abril, aceleração de internações em UTI passou a ser negativa. Significa que o número de novas internações é menor que o de altas. Começa a reduzir a pressão sobre o sistema de saúde. Mas todo cuidado nos próximos dias é extremamente importante", disse o coordenador executivo do Centro de Contingência da Covid-19 em São Paulo, João Gabbardo, pelo Twitter.

Conforme dados do Ministério da Saúde, Minas Gerais é o segundo Estado com maior número de infecções pelo coronavírus registradas, com 1.169.489 casos, mas o Rio de Janeiro é o segundo com mais óbitos contabilizados, com 38.040 mortes.

O governo ainda reporta 11.558.784 pessoas recuperadas da Covid-19 e 1.204.849 pacientes em acompanhamento.