Brasil tem 2ª maior média móvel de mortes por Covid-19 desde início da pandemia

Bruno Alfano
·4 minuto de leitura

RIO — O Brasil registrou 1.404 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas. Assim, o país totaliza 237.801 vidas perdidas para o novo coronavírus, e a média móvel ficou em 1.096 mortes, a segunda maior desde o início da pandemia. As informações são do boletim das 20h desta sexta-feira do consórcio de veículos de imprensa.

Os dados não incluem informações do estado do Ceará, que não divulgou os números a tempo.

Confira os dez dias com as maiores médias móveis de mortes por Covid-19:

25/07/2020 com 1.09712/02/2021 com 1.09616/07/2020 com 1.08126/07/2020 com 1.07411/02/2021 com 1.07330/01/2021 com 1.07127/07/2020 com 1.06929/01/2021 com 1.06815/07/2020 com 1.06702/02/2021 com 1.066

Cinco dos dez dias com maiores registros de media móvel de óbitos ocorreram em 2021.

Desde 20h de quinta-feira, 49.396 novos casos foram registrados. No total, 9.765.694 pessoas já foram infectadas pelo novo coronavírus.

A "média móvel de 7 dias" faz uma média entre o número do dia e dos seis anteriores. Ela é comparada com média de duas semanas atrás para indicar se há tendência de alta, estabilidade ou queda dos casos ou das mortes. O cálculo é um recurso estatístico para conseguir enxergar a tendência dos dados abafando o ruído" causado pelos finais de semana, quando a notificação de mortes se reduz por escassez de funcionários em plantão.

Mais de 5 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 já foram aplicadas em todo território nacional. Foram 4.896.311 de vacinas aplicadas em 1ª dose até agora e 142.351 em 2ª dose. Apenas 2,31% da população brasileira recebeu a 1ª dose enquanto que 0,08% recebeu a segunda.

Os dados são do consórcio formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo e reúne informações das secretarias estaduais de Saúde divulgadas diariamente até as 20h. A iniciativa dos veículos da mídia foi criada a partir de inconsistências nos dados apresentados pelo Ministério da Saúde.

Governadores questionam meta de vacinação de Pazuello

Após declarações do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no Senado, de que pretende vacinar 50% da população até junho, Governadores questionam como será possível alcançar a meta com um ritmo de vacinação de 3% da população ao mês.

Na tarde desta sexta-feira, o governador do Piauí e representante do Fórum de Governadores, Wellington Dias, afirmou que os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) tentarão uma agenda conjunta com Pazuello para que os governadores possam tratar do tema.

— Na pauta: tratar sobre credenciamento dos leitos, solução para comprar de medicamentos e insumos necessários para rede hospitalar e cronograma de entrega de vacina. (Além disso, falaremos da) vacinação mês a mês para saber o que tem até junho. O ministro disse que quer vacinar mais de 50% da população até junho, a previsão desde o inicio da vacinação é 3% ao mês, como vai ser para alcançar este objetivo? — questionou.

Segundo o governador, a expectativa é de que caso haja a agenda, os governadores voltem a questionar sobre a possibilidade de adquirir vacinas de maneira independente. Dias também mencionou que os gestores consultarão o ministro sobre a possibilidade de aquisição de imunizantes pela iniciativa privada.

Desinformação nas aldeias

Equipes de saúde que trabalham na vacinação contra Covid-19 em aldeias indígenas remotas na Amazônia estão encontrando resistência em algumas comunidades onde missionários evangélicos estão alimentando o medo da vacina, disseram líderes indígenas e grupos de ativistas.

Em uma aldeia do Sul do do Amazonas, o povo Jamamadi expulsou profissionais de saúde com arcos e flechas em visita neste mês, disse Claudemir da Silva, líder apurinã que representa comunidades indígenas do rio Purus, afluente do rio Solimões.

— Não é em todas as aldeias que isso acontece, mas em aldeias onde há missionários ou igrejas evangélicas em que pastores fazem a cabeça dos indígenas para não tomarem vacina com essas histórias de que tem chip, que vai virar jacaré, umas ideias malucas — contou.

Líderes indígenas culpam o presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores mais calorosos na comunidade evangélica por alimentarem o ceticismo em relação às vacinas, apesar do elevado número de mortes no país pela Covid-19, que só fica atrás dos EUA.