Brasil tem 33,2 milhões de 'empregáveis'. Saída para a retomada da economia é a vacinação, diz Guedes

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Os problemas do mercado de trabalho no Brasil vão além da taxa de desemprego. Existe uma força de trabalho de 33,2 milhões de pessoas que são "empregáveis". Nesse total, estão incluídos 14,8 milhões de desempregados, 6 milhões de desalentados, 7 milhões de subocupados e outros 5,4 milhões de "invisíveis", que se juntam aos desalentados, segundo o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta quinta-feira (dia 27). Mas há solução: vacinação em massa contra a Covid-19. A saída é defendida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

A forma de esse cenário mudar, segundo Guedes, é com a ampla vacinação, condição fundamental para a recuperação da economia e, por consequência, do mercado de trabalho.

— O ritmo da imunização que vai ditar a velocidade da recuperação econômica — avalia.

Para corroborar as afirmativas do ministro em defesa da vacina, a pasta mostra, em números, como os reflexos da vacinação vão influenciar o Produto Interno Bruto (PIB). Os dados fazem parte do Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica, assinado por Guedes.

De acordo com o boletim enviado ao EXTRA pelo Ministério da Economia, "desde o início da pandemia do novo coronavírus, a vacinação em massa se tornou uma das prioridades dos países com o objetivo de lograr uma recuperação econômica rápida e sustentável".

O texto ressalta ainda que "a vacinação em massa é imprescindível tanto para o crescimento econômico atual como para o crescimento futuro. À medida que a vacinação avança, as restrições à mobilidade vão sendo reduzidas e ocorre o retorno seguro às atividades de produção e consumo. Isto, por sua vez, aumenta o produto da economia (melhorando principalmente o setor de serviços, o mais afetado pela pandemia), o emprego e a renda das famílias concomitantemente à retirada das restrições às atividades".

Pelo lado das expectativas, uma vacinação mais abrangente e mais rápida da população aumenta as projeções de mercado para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para o ano de 2021, pois produz maior otimismo dos agentes quanto à recuperação econômica robusta, acrescenta o boletim.

O levantamento mostra como o aumento da vacinação se associa a um maior crescimento econômico. Ou seja, mais vacinação se relaciona com aumento da atividade econômica no presente.

Os gráficos ilustram a ideia da regressão acima para dois dos países analisados, apresentando apenas a variável "total de doses aplicadas por 100 habitantes" com a projeção para o PIB de 2021. É possível observar que a rápida vacinação em massa nos EUA é acompanhada pela revisão para cima da projeção do crescimento do PIB pelos analistas. Já para a Indonésia, com uma vacinação lenta, há revisão para baixo da projeção do crescimento do PIB.

Ainda conforme o documento da pasta, no Brasil, a vacinação está avançando. Até maio, diz o boletim, o Brasil aplicou mais doses por 100 habitantes do que alguns países emergentes grandes, como Índia e Rússia, e mais do que alguns países grandes da América Latina (Argentina e México); porém, menos do que alguns países desenvolvidos.

Além disso, a vacinação em massa no Brasil continuará progredindo. Quando se observa o número de doses recebidas pelos estados e o número de doses aplicadas (estatística calculada por 100 habitantes de cada estado) à data de 11 de maio passado, é possível verificar que há muitas doses que já foram distribuídas e aguardam aplicação, o que vai ampliar ainda mais o número de vacinados no curto prazo, aponta o documento.

— O processo de vacinação em massa continuará avançando, o que fortalecerá a atividade econômica no segundo trimestre de 2021, principalmente no setor de serviços — diz Guedes.

O número de desalentados — pessoas que desistiram de procurar emprego —, em um ano, subiu de 4,7 milhões para 6 milhões, segundo dados do IBGE.

— Esse aumento no desalento tem um motivo bem claro, que é a pandemia. Muita gente tem medo de ficar doente, e outras pessoas sabem que as atividades estão paradas. Por isso, acabam não saindo para procurar emprego — pontua o economista Bruno Ottoni, pesquisador do IDados e do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV).

É importante destacar que o desalento impacta diretamente a taxa de desemprego, que está em 14,7%. Isso porque, para ser considerado desempregado, segundo parâmetros internacionais de estatística, é preciso estar ativamente buscando uma vaga. Estes trabalhadores buscaram uma vaga de trabalho há meses e desistiram por não encontrar uma oportunidade de reinserção no mercado.

O desalento reduz ainda a taxa de participação no mercado de trabalho, que é a relação entre a quantidade de pessoas que estão de fato empregadas, ou à procura, pelo total de pessoas em idade para trabalhar.

Segundo pesquisadores, essa é uma boa medida para enxergar o chamado "desemprego oculto". Em fevereiro, a taxa de participação foi de 56,8%, 4,9 pontos percentuais a menos do que o registrado no mesmo período do ano passado (61%).

Na apresentação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de abril, o ministro Paulo Guedes destacou o impacto da Covid-19 no mercado de trabalho no país.

— Foram quase 1 milhão de postos fechados em abril do ano passado, no auge da pandemia. Em seguida, mais 200 mil perdidos. Depois disso, começamos uma fase de recuperação, que continua: nós criamos 120 mil empregos em abril de 2021 — afirmou o ministro.

O número é a diferença entre as contratações, que somaram 1.381.767 no mês passado ante as demissões (1.260.832).

De acordo com ele, o ritmo mais lento de contratações formais em abril está relacionado com o pico da segunda onda de Covid-19:

— O distanciamento social e prudência fizeram com que houvesse retração (no ritmo de empregos criados em abril).

É importante destacar que os dados do Caged, divulgados na quarta-feira (dia 26), consideram apenas os trabalhadores com carteira assinada, ou seja, não inclui os informais. Por isso não são comparáveis com os números do desemprego, divulgados pelo IBGE.

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