Desemprego no Brasil cai a 10,5% no trimestre até abril, menor nível desde o início de 2016

Pessoas em fila para vagas de emprego em São Paulo

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A taxa de desemprego no Brasil atingiu o nível mais baixo desde o começo de 2016 no trimestre até abril, num resultado melhor que o esperado diante de um nível recorde da população ocupada.

A pesquisa Pnad Contínua divulgada nesta terça-feira, mostra que a taxa de desemprego brasileira foi a 10,5% nos três meses até abril, de 11,2% no trimestre imediatamente anterior, encerrado em janeiro.

O dado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficou bem abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de 11,0%, depois de ter encerrado o primeiro trimestre em 11,1%.

A leitura ainda é a mais baixa desde os 10,3% registrados nos três meses encerrados em fevereiro de 2016, além ser a menor taxa para um trimestre até abril desde 2015, quando foi de 8,1%.

O mercado de trabalho vem gradualmente mostrando recuperação, uma vez que a vacinação contra a Covid-19 permitiu a reabertura das empresas.

A queda da taxa se deveu ao aumento do número de pessoas ocupadas para 96,512 milhões, o maior da série histórica iniciada em 2012. Isso representou aumento de 1,1% em relação ao trimestre encerrado em janeiro, de 10,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

O total de desempregados no país recuou 5,8% nos três meses até abril sobre o trimestre imediatamente anterior, somando 11,349 milhões de pessoas, o que representa ainda declínio de 25,3% ante o mesmo período de 2021.

"Essa queda está ligada a um processo contínuo de expansão da ocupação. A expansão da ocupação antes era concentrada em construção e tecnologia da informação, mas agora está mais espalhada", disse Adriana Beringuy, coordenadora da pesquisa.

"Isso é o resultado combinado de uma atividade econômica mais dinâmica com a flexibilização de medidas de restrição (contra a Covid-19)", completou ela

Segundo o IBGE, os aumentos da ocupação se deram nos grupamentos de Transporte, armazenagem e correio; Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais; e Outros serviços. Os demais ficaram estáveis.

Os trabalhadores com carteira assinada no setor privado chegaram a 35,247 milhões, aumento de 2% sobre o trimestre até janeiro, enquanto os que não tinham carteira subiram 0,7%, para 12,474 milhões.

"Nesse trimestre, mantém-se a trajetória de recuperação do emprego com carteira, com diversas atividades registrando expansão, principalmente no Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas e em Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas”, disse Beringuy.

Apesar da melhora na taxa de desemprego, os trabalhadores enfrentam neste ano inflação alta, que corrói a renda. Nos três meses até abril, a renda média foi de 2.569 reais, praticamente inalteado ante os 2.566 reais do trimestre imediatamente anterior. Mas em relação ao mesmo período de 2021, houve forte retração de 7,9%, mesmo com o crescimento da formalidade no mercado de trabalho.

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