Taxa de desemprego no Brasil cai a 8,1% no tri até novembro com recorde de ocupação

Mulher coloca currículo em caixa ao lado de anúncios de empregos, em São Paulo, Brasil

Por Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) - A taxa de desemprego brasileira caiu a 8,1% nos três meses até novembro e marcou o menor patamar desde 2015, favorecida pela ocupação em nível recorde com redução da informalidade e aumento do rendimento.

O dado divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra recuo em relação à taxa de 8,9% registrada no trimestre imediamente anterior, com o mercado de trabalho dando seguimento à melhora em meio ainda à reabertura da economia pós-pandemia de Covid-19.

O resultado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua ainda ficou em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters, e marca a menor taxa desde o trimestre até abril de 2015, quanto estava no mesmo patamar.

Mas apesar de a taxa de desocupação estar caindo, os efeitos defasados do aumento da taxa de juros em um momento de esperada desaceleração econômica podem pesar no mercado de trabalho a partir de 2023.

No trimestre encerrado em novembro, o número de desempregados caiu a 8,741 milhões, o menor contingente desde o trimestre terminado em junho de 2015. O resultado representa queda de 9,8% sobre o período de junho a agosto de 2022 e de 29,5% ante o mesmo período do ano anterior.

Já o total de ocupados subiu a 99,693 milhões, atingido novamente o maior nível da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012, marcando altas de 0,7% sobre o trimestre imediatamente anterior e de 5,0% sobre o mesmo período de 2021.

“Embora o aumento da população ocupada venha ocorrendo em um ritmo menor do que o verificado nos trimestres anteriores, ele é significativo e contribui para a queda na desocupação”, explicou a coordenadora da pesquisa, Adriana Beringuy.

Os trabalhadores com carteira assinada no setor privado aumentaram 2,3% no trimestre até novembro sobre os três meses imadiamente anteriores, chegando a 36,791 milhões.

“Desde o segundo semestre de 2021, observamos o crescimento dessa categoria. É um registro importante, uma vez que não apenas indica o aumento do número de trabalhadores, mas também sinaliza a redução na informalidade da população ocupada”, disse Beringuy.

Já os que não tinham carteira aumentaram 1,1%, passando a 13,309 milhões no trimestre encerrado em novembro de 2022.

A taxa de informalidade caiu de 39,7% nos três meses encerrados em agosto para 38,9%, a menor desde o trimestre até novembro de 2020 (38,7%), correspondendo a um contingente de 38,8 milhões de trabalhadores informais.

No período, a renda média real foi de 2.787 reais, um aumento de 3,0% em relação ao trimestre encerrado em agosto e um salto de 7,1% quando comparado ao mesmo trimestre do ano anterior.