Desemprego no Brasil cai a 9,1% no tri até julho com recorde de ocupados; renda sobe

Pessoas buscam oportunidades de emprego no centro de São Paulo

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Brasil registrou recorde no número de pessoas ocupadas e a taxa de desemprego caiu no trimestre encerrado em julho para o menor patamar desde o final de 2015, de 9,1%, ao mesmo tempo que a renda real dos trabalhadores voltou a subir.

A leitura divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficou em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters e igualou também a taxa vista no trimestre encerrado em dezembro de 2015.

Nos três meses imediatamente anteriores, até abril, o desemprego no Brasil estava em 10,5%, e encerrou o segundo trimestre em 9,3%. No trimestre até julho de 2021 ela era de 13,7%.

A taxa de desemprego brasileira voltou a ficar em apenas um dígito depois de ter chegado perto de 15% com as medidas de restrição contra a Covid-19. O mercado de trabalho vem se recuperando, mas ainda é marcado por uma informalidade recorde.

"É possível observar a manutenção da tendência de crescimento da ocupação e uma queda importante na taxa de desocupação”, disse a coordenadora da pesquisa, Adriana Beringuy. "Estamos num processo de recuperação."

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou recentemente que a taxa de desemprego cairá para "quase 8%" antes do fim do ano.

Nos três meses até julho, eram 98,666 milhões de pessoas ocupadas no Brasil, um recorde na série histórica iniciada em 2012. Houve aumento de 2,2% em relação ao trimestre até abril e de 8,8% sobre o mesmo período do ano anterior.

Já o número de desempregados teve forte queda de 12,9% na comparação com o trimestre imediatamente anterior, a 9,882 milhões de pessoas. Sobre o trimestre até julho de 2021 houve queda de 31,4%.

Os trabalhadores com carteira assinada no setor privado atingiram um total de 35,801 milhões, enquanto os que não tinham carteira eram 13,075 milhões nos três meses até julho, também recorde para a série histórica. A taxa de informalidade foi de 39,8% da população ocupada.

Segundo o IBGE, duas atividades influenciaram mais a queda do desemprego em julho, embora nenhum grupo tenha apresentado perda de ocupação.

Em “Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas”, houve acréscimo de 692 mil pessoas no mercado de trabalho em comparação com o trimestre anterior, enquanto o setor de “Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais”, registrou aumento de 648 mil pessoas.

“Essa melhora no mercado de trabalho tem a ver com avanços na atividade econômica. Temos serviços, que foram afetados pela pandemia, voltando aos poucos. Comércio e administração pública começaram a avançar de forma significativa", destacou Beringuy.

"Nossa expectativa é que a taxa de desemprego continue caindo até o fim do ano, chegando a 8,7%. À frente, no entanto, a história começa a mudar: os efeitos dos juros altos e da desaceleração da economia global vão pesar mais fortemente sobre economia, impactando negativamente o nível da ocupação em 2023", avaliou Claudia Moreno, economista do C6 Bank, projetando taxa de 9,8% ao final de 2023.

RENDIMENTOS

No período, a renda média real habitual dos trabalhadores subiu a 2.693 reais, de 2,618 reais no trimestre até abril, mas ainda abaixo dos 2,773 reais vistos no mesmo período de 2021, em meio à alta da inflação.

“A última vez que houve crescimento significativo (da renda) foi há exatos 2 anos, no trimestre encerrado em julho de 2020”, disse Beringuy.

O aumento, segundo o IBGE, foi puxado pelo rendimento de empregadores (6,1%), militares e funcionário público estatutário (3,8%) e dos trabalhadores por conta própria (3,0%).

(Edição de Luana Maria Benedito)