Brasil tem mais de 2 mil mortes por Covid-19 em um dia pela primeira vez; total supera 270 mil

Gabriel Araujo
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Enterro de vítima da Covid-19 em Manaus (AM)

Por Gabriel Araujo

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil superou nesta quarta-feira o patamar de 2 mil mortes em um único dia em decorrência da Covid-19 pela primeira vez desde o início da pandemia, com o registro de 2.286 novos óbitos, o que eleva o total de vítimas fatais da doença no país a 270.656, segundo o Ministério da Saúde.

A cifra eclipsa o recorde de mortes para um só dia que havia sido estabelecido na véspera, quando o Brasil contabilizou 1.972 óbitos por Covid-19.

Além disso, também foram reportados 79.876 novos casos de coronavírus no país, com o total de infecções confirmadas atingindo 11.202.305, de acordo com os números da pasta.

A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) alertou para a situação preocupante do Brasil. O gerente de incidentes da entidade, Sylvain Aldighieri, afirmou que o país precisa de medidas de saúde pública "muito rígidas" para conter a disseminação do vírus.

O presidente Jair Bolsonaro, no entanto, tem criticado repetidas vezes governadores e prefeitos que adotam restrições mais fortes em relação à circulação de pessoas como forma de contenção do vírus.

De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 25 das 27 capitais possuem situação crítica de ocupação de leitos de terapia intensiva (UTI), com taxa acima de 80%, e 20 unidades federativas na zona de alerta máximo.

Nesta quinta-feira, o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, colocou como pontos principais do combate à forma mais grave da doença o atendimento imediato após os primeiros sintomas, o aumento da oferta de leitos, o acompanhamento epidemiológico e a vacinação em massa.

"Hoje nós temos focos (da Covid-19) pelo Brasil que precisam ser tratados de forma direta e com eficiência e eficácia", disse Pazuello em discurso em evento no Palácio do Planalto, fazendo referência ao avanço da variante mais transmissível da doença, inicialmente detectada em Manaus.

Segundo país com maior número de óbitos por coronavírus no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, e terceiro em termos de casos, abaixo dos EUA e da Índia, o Brasil enfrenta seu pior momento da pandemia.

Estado mais afetado pelo coronavírus em números absolutos, São Paulo alcançou as marcas de 2.149.561 casos e 62.570 mortes.

"Aceleramos --e aceleramos muito (nos índices da pandemia)-- em um período muito curto, com grande número de pessoas sendo comprometida de uma única vez", disse em entrevista coletiva o secretário de Saúde paulista, Jean Gorinchteyn.

Ele destacou que os atuais números de mortes e internações no Estado já superam os picos atingidos na primeira onda da pandemia, entre julho e agosto do ano passado. A cada dois minutos, segundo Gorinchteyn, há três admissões nos hospitais paulistas.

Conforme os números do Ministério da Saúde, Minas Gerais é o segundo Estado com maior número de infecções pelo coronavírus registradas, com 938.811 casos, mas o Rio de Janeiro é o segundo com mais óbitos contabilizados, com 33.893 mortes.

O governo ainda reporta 9.913.739 pessoas recuperadas da Covid-19 e 1.017.910 pacientes em acompanhamento.