Brasil tem meta de reduzir carga de energia em 10% com cortes voluntários, diz fonte

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Torres de energia em Carregado, Portugal.

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A meta do governo brasileiro com planos de redução voluntária do consumo de energia é obter diminuição de 10% na carga total de eletricidade do país, em momento em que o país lida para afastar riscos de racionamento, disse à Reuters uma fonte com conhecimento de planos que deverão ser anunciados mais tarde nesta quarta-feira.

A expectativa é conseguir redução de cerca de 7 mil MW na carga de energia com as medidas, que incluem incentivos a cortes voluntários no consumo nos mercados livre e regulado, segundo a fonte, que falou na condição de anonimato. Há ainda ações para cortar o consumo de eletricidade em prédios públicos.

As medidas para reduzir a carga voluntariamente deverão colaborar para afastar possíveis riscos de racionamento, acrescentou a pessoa, em referência ao pior período úmido em 91 anos na área das hidrelétricas, principal fonte de eletricidade do país.

"Estamos contando com a redução voluntária de consumo. A avaliação do resultado será importante", disse a fonte, citando como as ações poderão trazer alívio para o setor elétrico, neste momento em que a escassez hidrelétrica também aumenta custos aos consumidores, com o acionamento de termelétricas mais caras.

"Estimamos uma redução alvo de 10% (na carga)... Estamos contando com isso", completou a fonte, ressaltando que o país tem registrado "tensão" todos aos anos ao final do período seco, que vai até novembro.

Procurado, o Ministério de Minas e Energia não comentou o assunto imediatamente. Uma entrevista coletiva com autoridades, incluindo o ministro da pasta, Bento Albuquerque, foi convocada para a tarde desta quarta-feira, para apresentar atos que vêm sendo tomados e seus efeitos.

A carga de energia, que representa soma do consumo com as perdas na rede, está estimada em alta de 3,4% em agosto no Brasil, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, para 66,8 mil MWmed, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

A fonte afirmou ainda que, como forma de aumentar a oferta de energia no Sul e Sudeste, o governo deverá aumentar a vazão para hidrelétricas do rio São Francisco, Jupiá e Porto Primavera.

À medida que a economia se recupera da crise gerada pelo coronavírus, o consumo de energia em julho atingiu níveis semelhantes aos vistos antes da pandemia, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

No início da semana, o governo publicou portaria que estabelece as diretrizes para a oferta de redução voluntária de demanda de energia elétrica no mercado livre.

Deste programa poderão participar consumidores livres, os agentes agregadores, os consumidores modelados sob agentes varejistas e os denominados consumidores parcialmente livres.

Mas a ideia é que consumidores do mercado regulado, atendido pelas distribuidoras, também participem dos esforços de redução voluntária do consumo.

Em nota na noite de terça-feira, a Assessoria Econômica do Ministério de Minas e Energia apresentou ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) proposta de programa de incentivo à redução voluntária do consumo de energia para consumidores do mercado regulado, segundo nota oficial, que não trouxe detalhes.

Nesta quarta-feira, o governo publicou decreto que estabelece medidas para redução do consumo de energia elétrica em prédios públicos, com o objetivo de economizar de 10% a 20% em relação aos volumes anteriores à pandemia, informou em comunicado o Ministério de Minas e Energia.

O governo pontuou que a administração pública direta e indireta dispõe hoje de mais de 22 mil edificações próprias e cerca de 1.400 imóveis alugados, como escolas, hospitais e universidades, representando uma parcela significativa do consumo total de eletricidade no país.

A escassez de energia hídrica, que demanda maior acionamento de termelétricas, tem pressionado os custos e tarifas do setor elétrico. O governo estima que as contas de luz sofram reajustes médios acima de 8% neste ano, e o ministério indicou que as causas de pressão tarifária devem se manter em 2022.

(Com reportagem adicional e texto de Roberto Samora)

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