Brasil tem de parar desmatamentos antes que seja tarde demais, diz Fórum Econômico

Vivian Oswald

LONDRES - Diante da necessidade de ação global relação às ameaças climáticas, Peter Giger, um dos autores do relatório e especialista-chefe do Departamento de Risco da Zürich Insurance, afirmou o Brasil não pode repetir os mesmos erros das nações no passado e parar o desmatamento antes que seja tarde. Segundo ele, os incêndios nas florestas brasileiras no ano passado, e na Austrália nas últimas semanas são situações diferentes.

— O Brasil é um exemplo diferente. Da perspectiva do risco, está repetindo erros do passado, de centenas de anos atrás. Isso é sempre uma tragédia. No Brasil, a questão é não repetir os mesmos erros como sociedade global e como parar o desmatamento antes que seja tarde demais — diz Giger.

Clima e biodiversidade estão no topo da lista de riscos para o planeta, de acordo com o Relatório de Riscos Globais 2020, divulgado nesta quarta-feira pelo Fórum Economico Mundial (FEM) em Londres.

O presidente do FEM, Borge Brende, lamentou a ausência do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que fez seu debut internacional desde que assumiu o cargo, no Fórum do ano passado. Brende afirmou que o discurso do presidente à época foi bem recebido pelos participantes, mas lembrou que ainda há uma agenda importante de reformas a serem aprovadas no país para garantir o crescimento econômico.

—- Isso precisa ser feito em paralelo com medidas para conter as desigualdades que ainda são significativas no país —- afirmou.

Brende também defendeu um diálogo franco sobre mudança do clima. O presidente do FEM chamou atenção ainda para o fato de a economia mundial ter começado o ano sob a ameaça de crescente polarização econômica e política doméstica e internacional.