Brasil tem a segunda maior média móvel de mortes por Covid-19 desde o começo da pandemia

Bruno Alfano
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RIO — O Brasil registrou 1.204 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas. Assim, o país totaliza 237.801 vidas perdidas para o novo coronavírus, e a média móvel ficou em 1.068 mortes, a sexta maior desde o início da pandemia. As informações são do boletim das 20h desta sexta-feira do consórcio de veículos de imprensa.

Os dados não incluem informações do estado do Ceará, que não divulgou os números a tempo.

Confira os dez dias com as maiores médias móveis de mortes por Covid-19:

Cinco dos dez dias com maiores registros de media móvel de óbitos ocorreram em 2021.

Desde 20h de quinta-feira, 49.396 novos casos foram registrados. No total, 9.765.694 pessoas já foram infectadas pelo novo coronavírus.

A "média móvel de 7 dias" faz uma média entre o número do dia e dos seis anteriores. Ela é comparada com média de duas semanas atrás para indicar se há tendência de alta, estabilidade ou queda dos casos ou das mortes. O cálculo é um recurso estatístico para conseguir enxergar a tendência dos dados abafando o ruído" causado pelos finais de semana, quando a notificação de mortes se reduz por escassez de funcionários em plantão.

Mais de 5 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 já foram aplicadas em todo território nacional. Foram 4.909.251 de vacinas aplicadas em 1ª dose até agora e 160.743 em 2ª dose. Apenas 2,32% da população brasileira recebeu a 1ª dose enquanto que 0,08% recebeu a segunda.

Os dados são do consórcio formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo e reúne informações das secretarias estaduais de Saúde divulgadas diariamente até as 20h. A iniciativa dos veículos da mídia foi criada a partir de inconsistências nos dados apresentados pelo Ministério da Saúde.

Após declarações do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no Senado, de que pretende vacinar 50% da população até junho, Governadores questionam como será possível alcançar a meta com um ritmo de vacinação de 3% da população ao mês.

Na tarde desta sexta-feira, o governador do Piauí e representante do Fórum de Governadores, Wellington Dias, afirmou que os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) tentarão uma agenda conjunta com Pazuello para que os governadores possam tratar do tema.

— Na pauta: tratar sobre credenciamento dos leitos, solução para comprar de medicamentos e insumos necessários para rede hospitalar e cronograma de entrega de vacina. (Além disso, falaremos da) vacinação mês a mês para saber o que tem até junho. O ministro disse que quer vacinar mais de 50% da população até junho, a previsão desde o inicio da vacinação é 3% ao mês, como vai ser para alcançar este objetivo? — questionou.

Segundo o governador, a expectativa é de que caso haja a agenda, os governadores voltem a questionar sobre a possibilidade de adquirir vacinas de maneira independente. Dias também mencionou que os gestores consultarão o ministro sobre a possibilidade de aquisição de imunizantes pela iniciativa privada.

Equipes de saúde que trabalham na vacinação contra Covid-19 em aldeias indígenas remotas na Amazônia estão encontrando resistência em algumas comunidades onde missionários evangélicos estão alimentando o medo da vacina, disseram líderes indígenas e grupos de ativistas.

Em uma aldeia do Sul do do Amazonas, o povo Jamamadi expulsou profissionais de saúde com arcos e flechas em visita neste mês, disse Claudemir da Silva, líder apurinã que representa comunidades indígenas do rio Purus, afluente do rio Solimões.

— Não é em todas as aldeias que isso acontece, mas em aldeias onde há missionários ou igrejas evangélicas em que pastores fazem a cabeça dos indígenas para não tomarem vacina com essas histórias de que tem chip, que vai virar jacaré, umas ideias malucas — contou.

Líderes indígenas culpam o presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores mais calorosos na comunidade evangélica por alimentarem o ceticismo em relação às vacinas, apesar do elevado número de mortes no país pela Covid-19, que só fica atrás dos EUA.