Brasil tinha mais de 17 milhões de pessoas com deficiência severa em 2019, diz IBGE

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Uma mulher em cadeira de rodas esta em frente a uma bancada de trabalho com um computador
Embora tenhamos observado um evidente avanço de pessoas com deficiência no Ensino Superior, ainda estamos longe do ideal quando falamos de nível de instrução para a população em geral com deficiência (Foto: Getty Images)

Temos novos dados sobre pessoas com deficiência no Brasil. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) liberou os dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019. Antes, os dados mais atualizados que tínhamos eram de 2013, também da PNS.

De acordo com a análise, em 2019, havia 17,3 milhões de pessoas com ao menos alguma das deficiências investigadas no país com dois anos ou mais de idade. Para fazer esse cálculo, o IBGE utilizou orientação do Grupo de Washington, da ONU, para padronizar estatísticas de pessoas com deficiência entre os países.

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Considerou-se pessoa com deficiência aquela que tenha respondido apresentar muita dificuldade ou não conseguir de modo algum enxergar, ouvir, se locomover, realizar movimentos nos membros superiores ou de realizar tarefas habituais em decorrência de limitações nas funções mentais ou intelectuais,

Ou seja, esse dado inclui pessoas com deficiências mais severas e não aquelas que respondem ter “alguma dificuldade” nos quesitos investigados.

Entre os vários recortes, alguns me chamaram a atenção. Eles revelam a dificuldade de inserção no mercado de trabalho e no acesso à educação. Infelizmente não me surpreende - só demonstra e escancara nossa responsabilidade em colaborar para a mudança desse cenário.

Olha só o abismo quando falamos do mercado de trabalho: Apenas 28,3% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar (14 anos ou mais de idade) estavam na força de trabalho (veja definições ao final do texto). Na população sem deficiência esse percentual era de 66,3% - diferença de 38 pontos percentuais.

Embora tenhamos observado um evidente avanço de pessoas com deficiência no Ensino Superior, ainda estamos longe do ideal quando falamos de nível de instrução para a população em geral com deficiência.

Cerca de 67,6% da população com deficiência não tinham instrução ou tinham o ensino fundamental incompleto, percentual que era de 30,9% para as pessoas sem nenhuma das deficiências investigadas.

Já falamos, na coluna, sobre as diferentes barreiras que podem prejudicar ou até impedir a nossa inclusão plena no mercado de trabalho, na educação e em outros âmbitos da vida. Passa por comportamentos e atitudes em relação a pessoas com deficiência, falta de acessibilidade, de investimento, e até discriminação, entre vários outros fatores.

Outro dado que chama a atenção é a relação entre envelhecimento e deficiência. Não é de hoje que se aponta a tendência de envelhecimento da população brasileira e mundial. Em 2019, o país tinha 6 milhões de idosos a mais que crianças com até 9 anos.

A Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 mostra que Um em cada quatro idosos (com 60 anos ou mais), tinha algum tipo de deficiência naquele ano. Isso exige, do Estado e da sociedade, ação imediata na formulação de políticas públicas para essa parcela da população.

Em um mundo de escassez de dados e estatísticas sobre pessoas com deficiência, essa nova pesquisa traz um panorama importante para análise. Se você deseja trabalhar com acessibilidade ou inclusão ou apenas estiver curioso ou curiosa, confira a Pesquisa Nacional de Saúde na íntegra.

  • Pessoa fora da força de trabalho: Pessoa que não é classificada como ocupada nem como desocupada na semana de referência da pesquisa, mas encontra-se em idade de trabalhar.

  • Pessoa ocupada: Pessoa que, na semana de referência da pesquisa, trabalhou pelo menos uma hora completa em trabalho remunerado

  • Pessoa desocupada: Pessoa sem trabalho em ocupação na semana de referência da pesquisa que tomou alguma providência efetiva para consegui-lo no período de referência de 30 dias, e que estava disponível para assumi-lo na semana de referência.

Descrição da imagem: Uma mulher em cadeira de rodas está em frente a uma bancada de trabalho com um computador. Ela é loira, branca e usa uma camiseta listrada azul e branca. O local tem outras três estações de trabalho.

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