Brasil 'transformou' ataque da Sérvia em um dos piores da primeira rodada, apontam dados

Há uma frase famosa no futebol: ataque ganha jogo, defesa ganha campeonato. O gol de Richarlison e a boa produção ofensiva no segundo tempo irá chamar a atenção. Mas o maior impacto da vitória da seleção brasileira na estreia é a defesa. Em um confronto contra um adversário que era visto como o mais forte na fase de grupos, o Brasil fez uma atuação defensiva quase perfeita de acordo com dados analisados pelo GLOBO.

Foram apenas cinco finalizações da Sérvia em toda a partida. Nesta Copa, apenas Austrália, com quatro chutes, Arábia Saudita, com três, e Costa Rica, com nenhum, finalizaram menos do que a Sérvia contra o Brasil.

Mas dois dados indicam que o feito do sistema defensivo de Tite foi mais relevante que o dos rivais na primeira rodada: em primeiro lugar, a Sérvia é a seleção mais forte dessas quatro, com alguma vantagem. No ranking da FIFA, o país é o 21º, à frente das outras três. No ranking Elo, que é considerado mais estatisticamente significante que o da Fifa, o país está em 16º. Além disso, era exatamente o ataque o ponto forte da Sérvia: seus dois melhores jogadores são os centroavantes Mitrovic, que começou o jogo como titular, e Vlahovic, que iniciou o jogo no banco.

O outro número que favorece o Brasil é a qualidade das chances que a defesa brasileira concedeu ao ataque sérvio. Esse número é medido por uma métrica chamada "Expectativa de Gol", ou xG. Em resumo, cada chute, quando sai do pé de um jogador, tem uma probabilidade de virar gol.

Na partida contra a Sérvia, o Brasil teve uma expectativa de 2,34 gols contra 0,20 da Sérvia, segundo o site "Sofascore". Considerando as cinco finalizações do adversário do país, cada chute ao gol teve um xG de 0,04. Isso significa que cada chute teve uma chance de 4% de virar gol.

Menos que isso, apenas a Costa Rica teve na partida contra a Espanha, já que sequer finalizou. Como padrão de comparação, nas Eliminatórias para a Copa, a Sérvia chutou em média 15 vezes por jogo.

Esse desempenho defensivo foi fruto de uma atuação coletiva, entretanto: o Brasil só perdeu o controle da posse de bola em dois momentos do jogo. Entre 10 e 20 minutos do primeiro tempo, com um aparente nervosismo, e entre os 20 e 30 minutos do segundo tempo, quando o time recuou após o primeiro gol. Foi neste momento em que a Sérvia teve seu único momento de grande perigo, uma cobrança de escanteio. Logo depois, Richarlison definiu o placar.

Os números, contudo, não contam toda a história. A impressão é que o Brasil poderia ter uma vitória mais tranquila com um pouco mais de tranquilidade nas finalizações, como quando Raphinha roubou uma bola logo no início do segundo tempo, mas perdeu o gol, ou com um pouco mais de sorte, como nos chutes de Alex Sandro e Casemiro.