Brasil supera 15.000 mortes por COVID-19; Bolsonaro volta a atacar confinamento

1 / 2
Mulher visita sepultura de um parente no cemitério do Caju, no Rio de Janeiro, 8 de maio de 2020, durante a pandemia do novo coronavírus

O Brasil ultrapassou neste sábado (16) as 15.000 mortes e os 230.000 contágios pelo novo coronavírus, segundo cifras oficiais que situam o país como o quarto com o maior número de casos de COVID-19.

Com 15.633 óbitos e 233.142 casos confirmados, o Brasil é o país latino-americano mais afetado pelo novo coronavírus, que já matou quase 310.000 pessoas no mundo.

Segundo especialistas, o número de casos, no entanto, pode ser até 15 vezes maior que o oficial, devido à falta de exames generalizados.

Neste sábado, um dia depois da renúncia do ministro da Saúde, o oncologista Nelson Teich, o Brasil registrou 816 óbitos e 14.919 novos casos nas últimas 24 horas.

O estado de São Paulo, com 58.378 casos e 4.501 óbitos, é o epicentro da COVID-19 no país. No entanto, alguns estados do norte e do nordeste registram maior número proporcional de casos e decretaram medidas de confinamento mais severas em várias cidades.

Um balanço do Instituto Socioambiental contabiliza 340 casos entre indígenas e 21 falecidos em áreas não urbanas.

Apesar do avanço da pandemia no país, o presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar, mais cedo, as medidas de confinamento.

"O desemprego, a fome e a miséria será (sic) o futuro daqueles que apoiam a tirania do isolamento total", tuitou Bolsonaro na manhã deste sábado.

À tarde, o presidente, que não se manifestou sobre a demissão do ministro, voltou ao Twitter para compartilhar um vídeo de quase quatro minutos, junto ao qual escreveu: "Como conseguir a sonhada imunidade".

Nas imagens, um homem que se identifica como Delmiro Darcy, médico de Presidente Prudente, interior de São Paulo, diz que "o que determina se uma pessoa vai viver ou morrer diante da contaminação pelo coronavírus é sua imunidade".

Além disso, afirma que "não é o poder de agressão [do coronavírus] que está prevalecendo, mas a fragilidade das pessoas".

Para aumentar a imunidade, ele recomenda: "beba água em abundância, coma bons alimentos, tome banho de sol e fuja do envenenamento mental de notícias".

Bolsonaro defende a "volta à normalidade", com argumentos econômicos, e promove o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento da doença.

Teich teria renunciado por "incompatibilidades" com o presidente, informou à AFP uma fonte do Ministério da Saúde. No entanto, o agora ex-ministro não comentou os motivos de sua saída.

Ele ficou menos de um mês no cargo, que assumiu em 17 de abril, depois de o presidente demitir Luiz Henrique Mandetta, que era favorável à manutenção das medidas de isolamento horizontal e que os protocolos de tratamento se baseassem em critérios científicos.

Estava previsto que Bolsonaro, fizessem na noite deste sábado um pronunciamento em rede de rádio e televisão. No entanto, a assessoria de comunicação da Presidência informou esta tarde que o presidente a cancelou.

A gota d'água para o ministro deixar o cargo aparentemente foi a pressão de Bolsonaro para que ele autorizasse o uso da cloroquina na fase inicial do tratamento de pacientes com COVID-19, apesar de os testes com esse medicamento não serem conclusivos sobre os seus benefícios.

Após a saída de Teich, o Ministério da Saúde informou que está concluindo novas orientações para atender os infectados pelo novo coronavírus.

"O objetivo é iniciar o tratamento antes do seu agravamento e necessidade de utilização de UTI (Unidades de Terapia Intensiva)", informou em nota o ministério, sem especificar a que tratamento se refere. O protocolo atual da pasta orienta o uso de cloroquina apenas em casos moderados ou graves.

Com a saída de Teich, o número dois do Ministério da Saúde, Eduardo Pazuello, assumiu a pasta interinamente até ser nomeado um substituto.

Nosso objetivo é criar um local seguro e atraente para os usuários se conectarem a interesses e paixões. Para melhorar a experiência de nossa comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários dos artigos.