Brasil ultrapassa 200 mil casos de Covid-19 sem perspectiva de estabilização

RENATO MACHADO

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Brasil registrou 844 novas mortes por coronavírus e passou de 200 mil casos confirmados de Covid-19 sem uma perspectiva de estabilização na curva, segundo o Ministério da Saúde.

O total de óbitos desde o início da pandemia é 13.993.

Em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, em Brasília, o secretário substituto de vigilância em saúde da pasta, Eduardo Macário, disse que o país vive uma situação de alerta por conta da alta nos casos confirmados da Covid-19 e também dos óbitos.

"A principal mensagem é que ainda estamos em um momento de crescimento de casos. Não há nenhuma perspectiva nesse momento de estabilização ou até mesmo de diminuição", disse Macário.

"O que nós temos talvez seja a redução da dinâmica da infecção, quando a gente compara, por exemplo, com os Estados Unidos, que teve um crescimento linear muito elevado", completou.

São Paulo continua sendo o estado com maior registro de casos confirmados, 54.286, e de mortes, 4.315, em decorrência do novo coronavírus.

Em número de casos confirmados, aparecem na sequência o Ceará (21.077), Rio de Janeiro (19.467), Amazonas (17.181) e Pernambuco (15.588).

O Rio de Janeiro ainda é o segundo estado com maior número de mortes, com 2.247 desde o início da pandemia. Depois seguem-se o Ceará, com 1.413; Pernambuco, 1.298; e Amazonas, com 1.235.

O boletim do Ministério da Saúde também informa que, do total de pessoas infectadas até o momento, 79.479 se recuperaram da Covid 19. O número corresponde a 39,2% do total.

Outras 109.446 pessoas seguem em acompanhamento.

Os cinco países com mais casos de Covid-19 são EUA (1,4 milhão), Rússia (252 mil), Reino Unido (234 mil), Espanha (229 mil) e Itália (223 mil). O Brasil vem em seguida, na sexta posição, com 202.918 casos no total. Nas últimas 24 horas, foram registrados 13.944 novos casos.

Nos últimos dias, a média diária de mortes no país tem apresentado aumento. O recorde é de 881 mortes registradas em apenas um dia, de terça (12). Na sexta (8) foram 751 novas mortes por Covid-19 e, no sábado (9), 730 novos óbitos.

O número oficial de mortes cresce mais no Brasil do que na Europa. No Brasil, essa alta foi de 6,5% ao dia na sexta-feira (8), por exemplo. Em dia equivalente da epidemia na Itália, crescia a 3,1%. Há duas semanas, os ritmos dos dois países eram similares.

Representantes do Ministério da Saúde atribuem a situação tanto a uma maior transmissão da doença quanto a uma redução no número de testes represados.

Nesta quinta (14), o mundo ultrapassou a marca de 300 mil mortes pelo novo coronavírus em quatro meses —a primeira morte foi anunciada pelas autoridades da China, de onde o vírus é oriundo, em 11 de janeiro.

O Ministério da Saúde também informou nesta quinta-feira que cerca de 8 milhões de testes para detectar o novo coronavírus já foram repassados aos estados. São 5.157.060 de testes rápidos e outros 3 milhões de testes do tipo RT-PCR (sorologia).

A pasta afirma que o país entra na segunda fase de distribuição dos testes aos estados e municípios. Espera'se que ao final do processo tenham sido realizados 46 milhões de testes.

Segundo o ministério, 372.015 testes foram aplicados até o momento no Brasil. O estado de São Paulo, o mais afetado pela pandemia, já aplicou 78.382 testes, de acordo com os dados da pasta.

"A perspectiva é que nos próximos meses a gente tenha testes em quantidade suficiente para ampliar a detecção e assim promover o isolamento dos casos sintomáticos e testando as pessoas que tiveram contato com esses casos confirmados", afirmou Macário. ​