Brasil ultrapassa 250 mil mortes pela Covid-19

Renato Grandelle
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Gravediggers are helped by a backhoe to bury a COVID-19 victim at the Nossa Senhora Aparecida cemetery in Manaus, Amazonas state, Brazil, on January 13, 2021, amid the novel coronavirus pandemic. - In Manaus there is a shortage of hospital beds as cases increased at an alarming rate. The city, with two million inhabitants, had already experienced nightmarish scenes in April and May, with mass graves and refrigerated trucks parked in front of hospitals to pile up the dead. But the situation is even worse in the beginning of 2021, since between January 1 and 11, at least 1,979 people were admitted to hospitals due to the virus, against 2,128 for the whole month of April, the worst since the start of the pandemic. (Photo by MICHAEL DANTAS / AFP) (Photo by MICHAEL DANTAS/AFP via Getty Images)

RIO — Na véspera de a pandemia da Covid-19 completar um ano no Brasil, o país ultrapassou nesta quarta-feira a marca de 250 mil óbitos.

A primeira morte em decorrência da doença ocorreu em 12 de março de 2020.

Três meses depois, em 12 de junho de 2020, o país tornava-se o segundo do mundo com maior número de mortes pela pandemia, atrás apenas dos EUA, posição que mantém até hoje. No dia 8 de agosto, o Brasil bateu a marca dos 100 mil óbitos e, em 7 de janeiro de 2021, atingiu 200 mil. Agora, após 48 dias, chega a 250 mil.

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O país registrou, até esta tarde, 1.390 novos óbitos, totalizando 250.036 vítimas. Também foram vistos 63.383 novos casos, chegando a 10.324.004 desde o início da pandemia.

Os dados são do boletim do consórcio de imprensa, uma iniciativa formada por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo. Os veículos reúnem informações das secretarias estaduais de Saúde divulgadas diariamente até as 20h.

Segundo o epidemiologista Paulo Lotufo, a disseminação da Covid-19 tornou-se "descontrolada" no segundo semestre do ano passado. À época, os governos estaduais, que assumiram a responsabilidade por medidas de combate à pandemia, cederam à pressão provocada pelos candidatos nas eleições municipais, que julgaram que restrições como o isolamento social eram impopulares e poderiam custar votos.

O número de infecções e óbitos também aumentou no início de janeiro, um resultado da desobiedência da população às recomendações de distanciamento durante as festas de Natal e Ano Novo.

— Ao contrário do ano passado, onde o crescimento dos casos e mortes ocorria em tempos diferentes, hoje a pandemia avança da mesma forma em todas as regiões — alerta Lotufo, que também é professor da Faculdade de Medicina da USP. — As novas cepas não têm relação com este aumento, porque elas só têm um papel determinante onde o sistema de saúde já é caótico, como no Amazonas.

Lotufo atribui a marca de 250 mil a uma "conjunção de irresponsabilidades". Governantes falharam ao aparecer em público sem máscaras, um grupo de médicos defendeu tratamentos sem eficácia, baseado em remédios como a cloroquina e a ivermectina, pesquisadores iludiram a população sustentando a tese da imunidade de rebanho.

— Não vivemos uma segunda onda. Isso implicaria que, em algum momento, houve uma redução do número de casos e óbitos. Mas jamais vimos isso acontecer no país desde o início da pandemia — explica.

De norte a sul do país, cidades e estados estão adotando novas medidas de lockdown para frear o crescimento de casos da Covid-19 e evitar novos colapsos no sistema de saúde. Toques de recolher e restrições de circulação em alguns horários, fechamento do comércio de atividades não essenciais e proibição de acesso a parques e praias são algumas das medidas adotadas pelas autoridades.

O estado de São Paulo vai aumentar a fiscalização sobre a circulação de pessoas todas as noites a partir desta sexta-feira. Ao anunciar a medida, motivada pelo aumento de internações e a preocupação com o surgimento de novas variantes do coronavírus, o governador João Doria negou o termo "lockdown", mas reconheceu que os paulistas estão em "toque de restrição".

Atividades em locais públicos durante o fim da noite e a madrugada já foram adotadas, desde a semana passada, em Pernambuco, Paraíba, Bahia e Rio Grande do Sul.