Brasileira se destaca no skeleton de olho na Olimpíada de Inverno

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
·4 min de leitura
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.

Uma multiatleta, com passagens pelo futebol e fisiculturismo, e enfermeira formada — que trabalhou no front na pior fase da pandemia de Covid-19 — deve ser a principal atleta do Brasil na Olimpíada de Inverno de Pequim, em fevereiro. Curiosamente Nicole Silveira, de 27 anos, brasileira que mora no Canadá desde os 7, não gosta do frio. Mas tem se destacado no skeleton, modalidade que consiste em descer uma pista em alta velocidade, deitada de bruços em um trenó sem freio e direção. Ela já tem pontuação suficiente para se manter entre as 25 melhores do mundo e garantir vaga no evento na China. A confirmação, no entanto, só acontecerá em 16 de janeiro.

— Quero ficar entre as dez melhores do mundo. Não vai ser fácil, mas tenho confiança. Poderia até arriscar um top 6. E, se me perguntar se me vejo no pódio, recebendo medalha, direi que tudo é possível — disse Nicole. — No final das contas, não importa o resultado. Porque estarei feliz. Provei a mim mesma que poderia chegar lá com chance de resultado.

A brasileira, que projeta conquistar a primeira medalha do Brasil em Olimpíadas de Inverno em 2026, quando a Itália será sede do evento, tem se destacado na modalidade, pouco conhecida no país.

De novembro para cá, conquistou cinco ouros em etapas da Copa América, além de um ouro e dois bronzes na Copa Intercontinental, em Whistler (Canadá) e em Park City (EUA). No evento teste na China, na pista que será usada na Olimpíada, ficou em oitavo. Pela Copa do Mundo, ficou em nono lugar por duas vezes em etapas na Alemanha.

— Na Olimpíada, faremos quatro descidas. O ideal é ser consistente, uma característica minha — diz a brasileira, que não parou de treinar nem nos piores dias da pandemia.

O melhor resultado do Brasil em Jogos de Inverno é o 9º lugar de Isabel Clark no snowboard em Turim-2006.

Formada em enfermagem em 2018, Bruna conta que não foram poucas as vezes em que saiu do plantão noturno para o treino da manhã. Ela geralmente trabalha de março a outubro, durante as estações mais quentes, em três ou quatro lugares diferentes, incluindo um hospital para crianças. Neste ano, de olho nos Jogos de Pequim, se concentrou na classificação. E desde maio abdicou dos plantões noturnos.

Morando em Calgary, no Canadá, Nicole pode treinar na rua, em pistas públicas. A cidade mantém instalações de 1988, quando foi sede dos Jogos Olímpicos. Também há as chamadas “Ice House” para treinos de “pushing” (empurrada), com apenas 50 metros de pista de gelo.

Como a modalidade não tem tradição no Brasil, sua maior dificuldade é se manter financeiramente. Nicole se vê numa encruzilhada, dizendo que é difícil arrumar patrocínio do Brasil morando no Canadá e também de empresas canadenses, sendo brasileira. Segundo ela, além dos custos com as viagens e equipamentos mais baratos como o capacete e sapatilha, um trenó custa em média 5 mil euros (cerca de R$ 32 mil), e as lâminas, que são trocadas com frequência, 600 euros (cerca de R$ 4 mil).

A mudança de Rio Grande (RS) para o Canadá foi um episódio traumático para a família, que tinha uma padaria. O pai Vitor Hugo, de 58 anos, continuou neste ofício. Hoje, a mãe Maria Luisa, 49, trabalha em um banco. Os irmãos Vinícius, 30, e Rodrigo, 25, também estão no Canadá.

— A padaria era assaltada várias vezes e a gota d’água foi quando colocaram uma arma na cabeça da minha mãe — lembra Nicole, que tem saudade dos dias na praia no litoral do Brasil. — Não sou chegada no frio. Acostumei e acho bonita paisagem com a neve. No Canadá a sensação térmica no inverno é de -40°.

Apesar do frio, não há tempo ruim para Nicole. A dedicação aos treinos é uma característica forte. Ela passou pelo vôlei, rúgbi, futebol. Na época da faculdade, foi atleta de fisiculturismo, quando era radical com as escolhas que iam para o prato.

— Saí porque falavam que eu estava ficando grande e que teria de migrar de categoria. Sei que não ia querer deixar de ser competitiva, mas, para isso, eu teria de usar alguma droga. E essa linha eu não queria cruzar. Foi quando o bobsled me salvou — lembra a atleta, que foi chamada para compor o time feminino do Brasil de bobsled como breaker, a atleta que fica atrás do trenó e é a responsável pelo freio. O time tentou a qualificação para os Jogos de Inverno de 2018, mas não conseguiu.

Sem sucesso no bobsled, Nicole voltou à universidade e aceitou o convite para se dedicar ao skeleton.

— Acho que é o tipo de pessoa que eu sou. Gosto de ter mais controle das coisas. No início tinha bastante medo da velocidade que alcançava. Mas hoje a cabeça é: quanto mais rápido, melhor.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos