Brasileira vive experiência ‘brutal’ em parto de gêmeos no Reino Unido

Camila Zarur
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Os dois meninos ainda não foram registrados

A brasileiro Gabriela Tropia destaca a experiência do seu parto de gêmeos, em Londres, no Reino Unido, como “a mais brutal, mais intensa e mais mágica da vida”. A professora universitária de 36 anos deu à luz no último dia 28 em meio ao caos vivido no país devido à pandemia do coronavírus. Sozinha em um dos leitos da enfermaria do hospital londrino do NHS, o equivalente ao SUS brasileiro, Gabriela passou pelo menos cinco horas sentindo as contrações.

— Eu sentia dor, mas ficava pensando se deveria chamar alguém ou não. Na hora que percebi que as contrações já estavam muito fortes, gritei que não queria mais estar sozinha. Foi a experiência mais brutal, mais intensa e mais mágica da minha vida — conta a brasileira.

Logo após a parteira conferir a situação, cerca de dez profissionais entraram na enfermaria, entre entre obstetras, pediatras e enfermeiros, para fazer o parto dos gêmeos:

— Tudo foi muito rápido, em cinco ou dez minutos eu já estava na sala de operação. E também foi muito intenso. Eles falam que o parto já está em um estágio avançado quando a grávida começa a pedir pela peridural. Até aquele momento eu só tinha tomado paracetamol, então eu olhava para a enfermeira e implorava pela anestesia. Mas na minha cabeça eu já sabia que era tarde demais e até fazer efeito, o bebê já ia ter saído.

Para diminuir o risco de contágio, o sistema de saúde do Reino Unido restringiu o número acompanhantes na hora das mães darem à luz. Apenas uma pessoa poderia ficar ao lado de Gabriela a partir de determinado momento do parto e depois deveria ir embora quando ela fosse transferida para o setor pós-natal.

— Isso foi a coisa mais difícil, né? O plano original era que minha mãe viria do Brasil para a Inglaterra e ficaria aqui com a gente — diz a professora, que até ontem ainda estava internada sozinha.

Menos de uma hora depois, os gêmeos nasceram. Com 35 semanas, os dois chegaram ser levados à UTI neonatal, mas foram para o quarto alguns dias depois. Hoje, Tropia aguarda para o que os dois ganhem peso suficiente e, assim, recebam alta para irem para a casa pela primeira vez. Enquanto isso, a brasileira acabou ganhando um apelido pelos corredores do hospital e entre os funcionários: mãe super-heroína.

— Eu não tinha a menor intenção de ter um parto de super-heroína, de passar a primeira semana com eles dessa forma. Mas a gente tem que lidar com a realidade que está na nossa frente e adaptar — explica a professora, que, mesmo com as dificuldades, se mantém otimista. — Eu sei que é questão de tempo e que meus bebês estão saudáveis. No início eles precisaram do suporte do oxigênio, mas, gradualmente, foram se fortalecendo e hoje já estão comigo, mamando e estão ótimos.

Os dois meninos de Tropia ainda não foram registrados e, por enquanto, são chamados de “os gêmeos Tropia Thwaites”, uma junção do sobrenome da professora com o de seu companheiro, Adam. Ela espera que o pai possa conhecer os bebês antes de decidirem quais serão os nomes. Até que isso aconteça, Tropia fica imaginando como será no futuro, quando a pandemia passar e os dois meninos puderem compartilhar a aventura que viveram antes mesmo de chegar ao mundo:

— Eles vão poder contar: “nós nascemos no pico do coronavírus e a minha mãe foi sozinha para o hospital”. Isso tudo vai ser muito especial.