Brasileiras são presas nos EUA por esquema de desconto de cheques que movimentou R$ 895 milhões

Duas brasileiras foram presas na última quinta-feira por suspeita de comandar um esquema de fraude financeira, no condado de Burlington, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Luciana Machado, de 42 anos, e Juliana Gomes Souza, de 45, são acusadas de descontar US$ 175 milhões (equivalente a R$ 895 milhões) em cheques de clientes sem ter autorização e sem registrar as transações.

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O Departamento de Justiça dos EUA informou que as brasileiras descontavam cheques de clientes e não registravam os relatórios de transação em moeda (CTRs, da sigla em inglês). Os CTRs devem ser preenchidos em transações financeiras com valores acima de US$ 10 mil.

As operações financeiras consideradas fraudulentas eram realizadas nas lojas de Luciana e Juliana. Elas têm dois empreendimentos: a Via Brazil I, em Riverside, e a Via Brazil II, em Filadélfia.Segundo a denúncia, em 22 de setembro do ano passado os investigadores flagraram uma "transação secreta" realizada pelas empresas das brasileiras. Na ocasião, uma das suspeitas pegou o cheque de um cliente - em valor acima de US$ 10 mil - e sacou dinheiro em um caixa eletrônico, descontando a taxa de 1,75% que cobrava pela transação.

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Os investigadores disseram que a suspeita fotocopiou o cheque e fez o cliente anotar seu nome e fornecer um número de telefone no verso. A brasileira, no entanto, não pediu identificação do cliente, não registrou a transação em CTR e não depositou o cheque em nenhuma conta declarada de suas empresas.

Na denúncia, assinada pelo procurador americano David E. Malagold, o Departamento de Justiça sustenta que as brasileiras "operaram e continuam operando a Via Brasil I e a Via Brasil II como uma empresa que desconta um grande volume de cheques para clientes de forma que oculta a verdadeira identidade dos clientes que recebem o dinheiro e não cumpre os requisitos de licenciamento e relatórios das leis federais, de Nova Jersey e da Pensilvânia".

De acordo com a acusação, o esquema financeiro das brasileiras facilitava o pagamento de funcionários sem registro, evitando assim a exigência de folha de pagamento e o recolhimento de imposto de renda.

Procuradas por O GLOBO, Luciana e Juliana não deram retorno até a publicação da reportagem.

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