Brasileiras são vítimas de feminicídio e violência de atuais e ex-companheiros na 1ª semana do ano e crimes acendem alerta para números em alta

Em diferentes regiões do país – e do mundo –, a primeira semana do ano acabou marcada por casos brutais de violência contra mulheres brasileiras. Na maioria deles, parceiros ou ex-companheiros figuram como principais suspeitos dos crimes. O cenário ocorre na esteira do que a equipe do agora Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania havia destacado durante o período de transição de governo, com dados do mais recente Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que apontam que só no primeiro semestre do ano passado, o Brasil registrou 700 casos de feminicídio. Em 2021, os números sugerem que mais de 66 mil mulheres foram estupradas. O recém-empossado ministro Silvio Almeida declarou, em seu discurso, compromisso em melhorar os indicadores de mulheres, pessoas LGBTQIAP+, negros e pobres.

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Em Ceilândia, no Distrito Federal, dois homens já foram presos preventivamente, em menos de cinco dias de 2023, indiciados por feminicídio contra as próprias esposas. O último deles foi André Muniz, de 51 anos, que teria enforcado a cabeleireira Mirian Alves Nunes, de 26, dentro de casa.

– A Polícia Civil do DF, por intermédio da Delegacia da Mulher de Ceilândia, procedeu, na tarde deste dia 4 de janeiro, a prisão preventiva de um homem de 51 anos de idade, investigado pelo feminicídio de da companheira dele, Mírian Alves Nunes, na última segunda-feira. Trata-se do segundo caso de feminicídio ocorrido em Ceilândia em 2023. Em ambos os casos, os autores foram identificados e presos antes mesmo da finalização do inquérito policial – informou a delegada Regilene Rozal, que acrescentou que objetivo é dar uma resposta "rápida e enérgia" à comunidade local.

Na Bahia, a Polícia Civil procura um homem que, sem aceitar o fim do relacionamento, teria matado a facadas a ex-mulher, Gleiciane Cristina de Souza, de 42 anos, no meio da rua, no primeiro dia do ano, na cidade de Juazeiro. Ele não teve o nome revelado. O crime aconteceu em plena luz do dia na Rua Gaspar Dutra. A Delegacia de Homicídios investiga o caso.

Também no Nordeste, a Polícia Civil do Ceará investiga a morte de Itamara Eny de Freitas, de 19 anos, no último dia 31 de dezembro, em caso que chocou moradores do município de Morrinhos. Em câmeras de segurança, a mulher aparecia deixando o trabalho com um homem, na garupa de uma moto. Ela estava sendo sequestrada. Seu corpo seria encontrado dias depois do desaparecimento, a cerca de 60km de distância. Os investigadores afirmam que dois homens, que foram presos preventivamente, teriam cometido o crime. Um deles, Francisco Gabriel dos Santos, era vizinho da vítima, frequentava a casa da família e teria "uma paixão" por ela. Ele chegou a publicar nas redes sociais, lamentando a morte da garota. O outro suspeito era José Almino Holanda, com passagem na polícia por estupro.

Marido promoveu estupro da própria mulher

Em Santa Cruz do Rio Pardo, cidade do interior de São Paulo, que fica a 345km da capital, um crime bárbaro marcou a noite de réveillon na região de Vila Oitenta. Bêbado, um homem teria imobilizado a própria esposa para que um vizinho a estuprasse. Os homens, de 38 e 39 anos, foram presos em flagrante e levados à cadeia pública da região, após denúncia do filho da vítima. A mulher prestou depoimento na delegacia e foi encaminhada ao IML (Instituto Médico Legal) para a realização de exames periciais, segundo a Polícia Civil de SP.

No Paraná, uma jovem com deficiência intelectual, de 24 anos, diz ter sido abusada sexualmente por um vizinho, na região de Apucarana, na noite do último dia 1º, quando saiu de casa sozinha. De acordo com a mãe da vítima, Daniela Fernanda da Silva, o suspeito, que é amigo do pai da jovem, a encontrou caminhando e a levou para a casa dele, no bairro Dom Romeu Alberti. No local, o homem deu bebida alcoólica para Alanys Fernanda Cândido da Costa, mandou ela tirar a roupa e filmou o ato sexual. O caso é investigado.

Casos fora do país

Brasileiras foram vítimas até no exterior. Na Irlanda e nos Estados Unidos, duas jovens brasileiras também teriam sido mortas por homens com quem haviam se relacionado, e que não aceitavam o fim do relacionamento.

Na cidade irlandesa de Cork, o brasileiro Miller Pacheco, de 29 anos, foi preso pelas autoridades locais, tido como principal suspeito de ter assassinado a mineira Bruna Fonseca, de 28, sua ex-namorada, durante as primeiras horas do dia 1º, logo após as comemorações de Ano Novo. Ela foi estrangulada.

Nos últimos dias de 2022, a brasileira Anna Laura Costa Porsborg, de 22 anos, soldado do Exército americano, e que há cinco anos vivia na Virgínia, foi morta pelo namorado Luís Antônio Gomes Akay – que confessou o crime ao FBI –, quando curtia a folga de fim de ano em Los Angeles. De acordo com os investigadores americanos, ele disse em depoimento que não aceitava o fim do relacionamento dos dois, proposto por ela. As circunstâncias da morte ainda são desconhecidas e o corpo ainda não foi encontrado. Em nota, a Polícia Federal afirma que atua na cooperação policial e jurídica internacional com base em convenções, tratados e acordos entre países, nos termos da Lei, e que o caso é investigado pela polícia de Los Angeles, com auxílio do FBI. A PF presta apoio com informações, por meio de seu adido policial nos EUA.