Brasileiras têm expectativa de vida sete anos maior do que os homens no país

Constança Tatsch
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RIO - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira a expectativa de vida no Brasil, que chegou a 76,3 anos.

O número, uma média, guarda porém uma diferença gritante: se a pessoa que nascer em 2018 for uma mulher, a expectativa é que viva até os 79,6 anos. Se for homem, até os 72,5 anos.

A diferença de 7,1 anos, segundo o demógrafo José Eustáquio Alves, é "uma das maiores do mundo" e seria causada, principalmente, pelas altas taxas de homicídios entre a população masculina jovem (15-29 anos).

— Existe um 'homencídio' no Brasil que é pouco divulgado, e não existem políticas públicas adequadas para reduzir a mortalidade por causas externas de homens jovens e suas desigualdades de classe, raça e situação geográfica — afirma o demógrafo.

Segundo Alves, o uso do termo não pretende fazer uma analogia ao feminicídio e à violência cometida, na maioria dos casos por homens, contra mulheres.

A intenção é demostrar um fenômeno social que atinge rapazes, principalmente jovens e negros. De acordo com o IBGE, em 2017, um homem de 20 anos tinha 4,5 vezes mais chances de não completar 25 anos do que uma mulher no mesmo grupo de idade.

— Morrem 11 vezes mais homens em termos de homicídio. Essa cultura de masculinidade tóxica, de cobrar do homem que ele tem que se arriscar, aparecer, responder, esse tipo de cultura contribui para o cara arrumar briga no bar ou ser violento na torcida. É preciso criar políticas para enfrentar isso — afirma.

A diferença média entre a expectativa de vida das mulheres e dos homens gira em torno de 4 anos.

Mesmo no Brasil, quando se observa a sobrevida após os 60 anos, a diferença de esperança de vida entre homens e mulheres passa para 4 anos.

O demógrafo explica que, até 1940, havia muito mais homens do que mulheres no Brasil. Isso era em parte decorrência da imigração, quando vinham mais homens do que mulheres, e também do fato de a mortalidade materna ser muito alta.

A partir dos anos 1940, com a queda da mortalidade materna, a diminuição da migração e o aumento da esperança de vida, esse número começou a se inverter.