Brasileiro baleado nos EUA dá os primeiros passos após ser alvejado na cabeça, e previsão é que tenha alta na próxima semana; veja vídeo

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RIO — Dois meses após ser baleado na cabeça em Chicago, nos Estados Unidos, o estudante de robótica João Pedro Marchezani, de 23 anos, já apresenta melhoras que a mãe Mônica Marchezani, que o acompanha desde o início, quando estava completamente paralisado, vê como um milagre. Nesta sexta-feira, o jovem deu seus primeiros passos depois do ocorrido, com a ajuda de dois profissionais da saúde. O registro emocionante foi compartilhado por Mônica nas redes sociais. Com a reabilitação a todo vapor, a perspectiva é que João Pedro tenha alta hospitalar na próxima semana.

João Pedro foi internado em estado crítico na madrugada do dia 5 de setembro. Na ocasião, ele foi atingido por um tiro enquanto saía com amigos para um bar da cidade americana, onde mora há quatro anos. Com os movimentos atrofiados devido ao inchaço do cérebro, os especialistas acreditavam que seria um processo longo até o estudante conseguir realizar movimentos básicos. No entanto, por não ter sofrido nenhuma sequela cerebral, mesmo com uma lesão do tamanho de uma lata de refrigerante na região, ele já conseguiu recuperar a fala e parte dos movimentos da perna e braço direito.

— Eu chorei tanto quando vi ele andando, ainda com muita limitação, porque imaginaria que isso aconteceria tão rápido. Há um tempo eu nem sabia se meu filho iria sobreviver, ele é um milagre — relata Mônica Marchezani.

João Pedro iniciou as atividades de fisioterapia diária em 15 de outubro, para ajudar na fala, respiração, memória cognitiva, visão e equilíbrio corporal. Segundo a mãe, apesar de ainda não ter tanto estímulo na perna e braço esquerdo, ele já consegue se apoiar na cama usando a mão direita e mantendo maior parte da força na perna do mesmo lado. A visão do olho esquerdo também está progredindo e o estudante já consegue enxergar imagens turvas. Há pouco mais de um mês, o cenário do brasileiro era ausência de movimentos e comunicação à base de leitura labial.

Em entrevista ao GLOBO, Mônica informou que o filho iria para casa nesta sexta-feira. Mas, devido à melhor estrutura do hospital e por acreditarem que em mais alguns dias a progressão de João Pedro pode ser ainda maior, os médicos decidiram deixá-lo internado por mais uma semana.

— A proposta é que ele tenha alta quando conseguir que apenas uma pessoa ajude ele. Quando ele sair, eu e meu marido vamos levá-lo para Ohio, para que ele tenha mais conforto — diz.

De acordo com Mônica, o rapaz ainda está sem a calota craniana, parte superior do crânio que precisou ser retirada e congelada para que o cérebro pudesse desinchar, evitando assim a morte do estudante. A cada dois meses, a família ficará responsável por mandar fotos e atualizações sobre a cicatrização da região, que só poderá ser reestruturada após o fechamento total da perfuração da bala, a fim de evitar infecções.

— Todo mundo me pergunta como eu consigo ser forte. Tem momentos na vida que essa é a nossa única opção. Eu rezei tanto para Deus salvar meu filho, que seria incoerente sofrer tendo ele em meus braços. Todos os dias quando falo com ele, ele só consegue perguntar como tudo isso aconteceu e está se resolvendo de forma milagrosa. E eu respondo que há três motivos: Deus, os neurocirurgiões e a força de vontade dele mesmo.

A família de João Pedro ainda não tem atualizações sobre os responsáveis pelo crime. Segundo Mônica, o que se sabe até o momento é que a polícia tem o retrato do condutor da moto que teria fechado o carro em que o rapaz estava com os amigos e a namorada, mas os agentes ainda buscam testemunhas que o reconheçam para poder incriminá-lo. O segundo suspeito, que estava na garupa, ainda não foi localizado. Ambos fazem parte de gangues que cometem crimes diários em Chicago.

O crime aconteceu há pouco mais de dois meses, no dia 4 de setembro, quando o estudante e a namorada foram às compras para o apartamento que tinham acabado de alugar em Chicago. Um casal de amigos, que tinha se mudado recentemente para a cidade, os acompanhou. Após passarem a tarde juntos, resolveram sair à noite para celebrar. Primeiro, se reuniram na casa do casal e de lá partiram no mesmo carro, em um grupo de cinco pessoas.

A caminho de um bar, o rapaz que dirigia percebeu que uma moto os seguia. Viu também que o condutor estava armado. A reação foi desviar para despistá-lo. Ali começava uma fuga pelo bairro, até que se depararam com uma dupla em outra moto. Durante a perseguição, o carona disparou oito vezes contra o veículo. Um dos tiros atingiu João Pedro, que imediatamente caiu no colo de sua namorada.

O estudante chegou ao hospital acordado e ciente do que havia acontecido, mas não sentia o lado esquerdo. Ele foi então intubado e levado para a UTI com uma proteção no pescoço. A família foi comunicada na sequência sobre o ocorrido e correu para a unidade.

Os pais de João Pedro autorizaram a implantação de um dreno no cérebro, que não foi suficiente. O estudante precisou ser submetido a uma cirurgia na qual os médicos cortaram parte do osso de sua cabeça para evitar a compressão. Um monitor cerebral e um medidor de pressão arterial foram instalados. E o jovem, colocado em coma induzido. O brasileiro ainda desenvolveu uma pneumonia durante a internação. Precisou colocar um cateter que a medicaçao se espalhasse de forma mais rápida.

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