Brasileiro envolvido em esquema mundial de fraude se declara culpado

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Em janeiro deste ano, o brasileiro Cléber Rene Rizério Rocha, de 28 anos, foi preso em Massachusetts por ligação com um esquema de fraudes da empresa Telex Free. No momento da prisão, foram encontrados US$ 20 milhões embaixo do colchão de Rocha. Nesta semana ele se declarou culpado pela tentativa de lavagem de dinheiro.

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Segundo o departamento de Justiça dos Estados Unidos, a companhia, que alegava oferecer serviços de telefone pela internet, teria lesado quase 2 milhões de pessoas e causado prejuízos bilionários.

Pirâmide

O esquema de pirâmide, utilizado pela TelexFree e também por outros golpistas, pede que as vítimas invistam uma quantia inicial e convidem outras pessoas para participarem, aumentando as “chances de lucro”.  A promessa é que a pessoa receba um percentual investido por outras pessoas, o que não acontece. A maior parte dos lucros da empresa, segundo investigadores, vinha justamente do dinheiro dos novos inscritos.

“O sistema tomou centenas de milhões de dólares de trabalhadores ao redor do mundo. Cada promotor tinha que ‘investir’ na TelexFree. Depois eles eram compensados toda semana pela empresa, obedecendo a uma estrutura complexa, sempre e quando publicassem propagandas na web para o serviço”, explica o Departamento de Justiça dos EUA.

Em 2014, duas pessoas foram acusadas de fraude pela polícia americana: James M. Merrill e Carlos Wanzeler, os fundadores da TelexFree. Segundo a BBC, Merril foi preso e se declarou culpado, enquanto o brasileiro Wanzeler fugiu para seu país natal, de onde não poderia ser extraditado.

Lavagem de dinheiro

Na fuga, ele teria “contratado” Rocha para que trouxesse o dinheiro que deixou para trás para o Brasil.

Para isso, foi criado um esquema de lavagem de dinheiro que incluía Cléber, atuando como mensageiro, um intermediário e o próprio Wanzeler. O objetivo era lavar a quantia em Hong Kong, convertê-la em reais e transferir para contas brasileiras.

Em uma viagem para Nova York, Rocha foi seguido por policiais, depois de tentar comprar uma testemunha com US$ 2,2 milhões em uma pasta. Ao chegarem em seu apartamento, os investigadores encontraram o colchão “recheado”.

Julgamento

Cléber Rocha será julgado em dezembro e pode ficar preso por até 20 anos, além de ter que pagar uma multa de US$ 250 mil, ou dobro do prejuízo gerado pela TelexFree.