Derrota do ETA é mensagem aos que tentam "dividir o país", diz líder liberal

Buenos Aires, 3 mai (EFE).- O líder do partido liberal espanhol Ciudadanos, Albert Rivera, disse nesta quinta-feira que o fracasso do grupo terrorista ETA é uma "mensagem clara" aos que tentam "dividir o país" e considerou que o fato de ser membro dessa organização, que acaba de anunciar o "desmantelamento" das suas estruturas, não pode representar nenhum "benefício" na Justiça.

"É uma mensagem clara aos que tentam dividir o país. O separatismo terrorista do ETA não conseguiu seu objetivo e os democratas são os vencedores", afirmou o deputado em entrevista à imprensa em Buenos Aires, na Argentina, onde realiza uma visita oficial.

Através de um comunicado, a organização terrorista ETA anunciou hoje o "fim de sua trajetória" e o "desmantelamento" total "do conjunto de suas estruturas", depois de mais de meio século de ações armadas nas quais deixou mais de 850 mortos.

Nesse sentido, Rivera enviou "uma mensagem política muito clara": "ser terrorista do ETA não pode trazer nenhum benefício na Justiça", já que "os terroristas são delinquentes e assassinos".

"Os protagonistas de hoje são as famílias das vítimas e as vítimas do terrorismo. Eles são os afetados, os sacrificados, os que sofreram a dor em primeira pessoa. E depois o povo espanhol, que foi aterrorizado durante 40 anos por um grupo terrorista", ressaltou o político.

Para Rivera, o ETA foi derrotado pela união dos democratas.

"Fizemos isso juntos. E o vamos fazer o mesmo com o jihadismo no futuro na Europa e em todo o mundo", frisou o líder político espanhol.

O comunicado do ETA foi complementado com um vídeo no qual é possível ouvir a voz de "etarras" (nome pelo qual são conhecidos os integrantes do ETA) históricos - como Josu Urrutikoetxea, Josu Ternera, e Marisol Iparraguirre - lendo a declaração em euskera, a língua basca, e em castelhano.

"Para mim, um foragido da Justiça como Josu Ternera fazendo declarações não tem nenhum valor. O valor está nos que deram suas vidas pela democracia e a defenderam: jornalistas, guardas civis, juízes, vereadores e servidores públicos", ressaltou Rivera.

Ao ser questionado se acredita que o anúncio reflete uma dissolução definitiva do grupo, Rivera foi taxativo: "É preciso ver para crer. Confiar em terroristas nunca é simples. Na Espanha sabemos disso. Mas parece que eles estão se dissolvendo definitivamente".

"Tomara que seja assim. (...) É necessário que se faça justiça e que se conheça a verdade dos assassinatos do ETA. Existem mais de 300 famílias esperando para saber quem assassinou seus parentes", concluiu Rivera. EFE