Brasileiro morto na fronteira dos EUA foi enviado por irmãos que chefiam tráfico de pessoas em Minas, diz PF

Apontados como chefes de um esquema de imigração ilegal no leste de Minas Gerais, os irmãos Vanildo e Heli Moura de Paula foram os responsáveis por promover a travessia frustrada de Pedro Alexandrino Filho aos Estados Unidos pela fronteira com o México, de acordo com as investigações da Polícia Federal. O mineiro de 34 aos, que trabalhava como produtor rural em Tarumirim (MG), morreu afogado em um rio da região. Segundo familiares, ele não sabia nadar e sofria de epilepsia.

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— Meu irmão avisou a ele que não sabia nadar, e ele (Vanildo) disse ao meu irmão que não tinha caminho difícil — disse Angelita Gonçalves, irmã de Pedro Alexandrino. — O que eu quero é justiça, não quero mais nada.

Vanildo Moura de Paula foi preso preventivamente no dia 24 de junho após mais de um ano foragido. Heli, seu irmão e ex-vice-prefeito de Tarumirim (MG), também teve a prisão preventiva decretada, mas segue foragido. Segundo a PF, ele diz que não irá se entregar.

Em áudios enviados aos irmãos, Pedro Alexandrino cita 'Vanil', que seria o apelido de Vanildo de Moura, como um dos responsáveis por ajudá-lo na travessia. Angelita Gonçalves afirma ainda que Vanildo assegurou que não haveria água no caminho até os EUA.

De acordo com relatório da Polícia Federal ao qual O GLOBO teve acesso, Pedro Alexandrino deixou o Brasil com destino ao México, primeira etapa na sua tentativa de entrar nos EUA, em agosto de 2020. Ele teria chegado a ficar detido no México por pelo menos três dias. Solto, seguiu o trajeto elaborado pela organização liderada por Vanildo de Moura. Seu corpo foi encontrado no dia 11 de setembro.

Para a PF, as condutas de Vanildo e Heli de Moura permitem afirmar que ambos são responsáveis pela morte de Pedro Alexandrino. De acordo com as investigações, os irmãos criaram o risco que resultou na morte da vítima ao promoverem a travessia e se omitiram quando deveriam ter agido para evitar o resultado.

A PF calcula que pelo menos 1200 pessoas foram enviadas ao exterior por Vanildo e Heli de Moura. Mediante um pagamento que podia chegar a US$ 20 mil (cerca de R$ 100 mil), a dupla fazia os arranjos para levar as vítimas até a fronteira do México com os Estados Unidos, onde a arriscada travessia era feita.

Isso incluía a compra de passagens aéreas para o México, o translado no país e a propina cobrada pela polícia de imigração mexicana, que podia chegar a US$ 100, além do pagamento aos mexicanos responsáveis por levar os imigrantes até a fronteira, os coiotes.

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Conhecido na região, o status de Heli Moura como ex-vice-prefeito de Tarumirim o ajudaria no negócio ilegal:

— Quanto mais famoso, mais referência a pessoa for na sociedade, mais ele vai ser procurado pois as pessoas vão ter confiança nela — diz o delegado Daniel Ottoni, que atua em Governador Valadares, ressaltando ainda que a prática criminosa é socialmente aceita na região mineira: — Muitas pessoas não acham que é crime. É tudo muito aberto, até porque o crime (de tráfico de pessoas) só foi criado em 2016.

A defesa da dupla foi procurada pela reportagem, mas ainda não se manifestou. O espaço segue aberto.

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