Brasileiro que fez obra no Coachella usa poema da Estátua da Liberdade

ISABELLA MENON

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Famoso pelos dois finais de semana que abarcam shows de diversos cantores e reúne celebridades, o festival Coachella -que acontece até o dia 23 de abril em Indio, cidade parte do deserto da Califórnia- também é palco para instalações de artistas plásticos, como a do brasileiro Gustavo Prado.

Morador de Nova York há seis anos, Prado explicou que, após observar o fortalecimento de um nacionalismo extremista em diversas frentes, decidiu usar a imigração como tema da sua instalação.

Para Prado, é preciso chamar atenção de artistas que têm o visto negado aos Estados Unidos "sobretudo quando é tão claro que ter uma oportunidade como essa faz de mim um exemplo gritante de um beneficiário direto dessa abertura".

Repleta de espelhos côncavos e convexos, o artista reflete que o intuito da obra foi criar uma reflexão, "mesmo que se busque o reflexo isolado, solitário como na selfie, o que se vê inevitavelmente incluído é quem está ao lado, em volta".

Usado na instalação do brasileiro, "The New Colossus" é o poema da americana Emma Lazarus gravado na placa do pedestal da Estátua da Liberdade. "Usei parte do último verso 'Send these, the homeless, tempest-tost to me, I lift my lamp beside the golden door!' (Mandai-me os sem abrigo, os arremessados pelas tempestades, pois eu ergo o meu farol junto ao portal dourado) na esperança de que as pessoas fossem atrás do poema", explica Prado.