Brasileiro relata atentado em bar gay na Noruega: 'Eu disse: é isso, acabou'

Atentado a bar gay em Oslo deixou duas pessoas mortas e 21 feridas. (Foto: Terje Pedersen/NTB/via REUTERS)
Atentado a bar gay em Oslo deixou duas pessoas mortas e 21 feridas. (Foto: Terje Pedersen/NTB/via REUTERS)
  • Ataque aconteceu na véspera da Parada do Orgulho LGBTQIA+

  • Brasileiro relata como clientes se esconderam no porão do bar gay

  • Cidade não está acostumada à violência

Um homem cometeu um atentado contra um bar gay em Oslo, capital da Noruega, na última sexta-feira (24), na véspera da Parada LGBTQIA+ da cidade. O criminoso matou duas pessoas e feriu outras 21. Entre as pessoas que presenciaram o ataque estava um brasileiro.

A tragédia aconteceu no London Pub, o bar gay mais antigo de Oslo. O homem chegou ao local, sacou duas armas e abriu fogo contra os presentes.

Segundo o brasileiro Rodrigo Blum-Jansen, de 37 anos, que atua como gerente de um escritório de arquitetura da cidade, muitos, inclusive ele, se refugiaram no porão do bar quando ouviram tiros.

"Estou com mais raiva do que tristeza. Para mim, o bar gay é muito mais do que um lugar de diversão. É o único lugar que eu posso ir e me sentir 100% eu mesmo, e isso para mim é um ato político. É como se estivesse em uma festa em casa, e alguém que não gosta desta festa veio e apagou as luzes", lamentou.

O atirador foi preso logo em seguida. A cidade estava movimentada naquela noite, por conta da Parada que ocorreria no dia seguinte.

"Ouvi o barulho dos tiros mas achei que eram copos de vidro caindo no chão, então nem dei muita atenção. A cidade é tão tranquila que jamais pensaria que seriam tiros", contou Rodrigo. "De repente, veio uma onda de pessoas na nossa direção, empurrando e gritando que estavam atirando. Esta é uma frase que jamais ouvimos aqui".

Um grupo de clientes quebrou a porta que dava para o porão para buscar abrigo. Ao chegar no porão, o brasileiro percebeu que se tratava de uma sala sem janela e sem saída. "Não tinha janela, não tinha nada. Eu logo pensei na boate Kiss, e depois em Utoya [ilha ao lado de Oslo onde um atirador invadiu um encontro de jovens e matou 69 deles, em 2011]. Olhei para um amigo e disse: é isso, acabou".

A polícia chegou cerca de 15 minutos depois. "Eles já entraram perguntando se havia alguém machucado. Tinha muita gente com sangue no corpo, mas em pé. Os bombeiros foram tirando os machucados e, 15 minutos depois, nós saímos por uma outra porta, que dava acesso ao bar ao lado".

O atirador possuía registro policial por participar de um movimento islâmico radical e tinha distúrbios mentais. Ele se negou a prestar depoimento, afirmando que só falará em uma transmissão ao vivo.

Depois da tragédia, as celebrações do Orgulho LGBTQIA+ foram canceladas na cidade, por recomendação das autoridades. Ainda assim, nesta segunda-feira (27), moradores da capital realizaram um desfile.

"Quisemos mostrar que não estamos com medo, que não vamos recuar. Quando vem um cara desses e consegue interromper a Parada, isso é muito perigoso para o movimento", disse Rodrigo.

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