Brasileiro relata tensão entre passageiros de cruzeiro no Japão; casos de coronavírus duplicam

Rafael Garcia
Mensagem em porta de cabine do cruzeiro Diamond Princess diz "Deus o abençoe. Mantenha o rosto erguido"

SÃO PAULO — Sessenta e cinco pessoas foram recolhidas esta segunda-feira do cruzeiro Diamond Princess, na costa de Yokohama, no Japão, aumentando o clima de apreensão entre os passageiros. O número de contaminados mais do que dobrou em um dia, passando de 65 para 135 casos.

O relato é do tripulante brasileiro Thiago Campos Soares, que atua como vigia dos passageiros durante a madrugada, certificando-se de que eles não sairão de suas cabines.

Soares fez um relato ao GLOBO por meio de mensagens de texto sobre a rotina e a agonia dos embarcados, impacientes com a falta de informações sobre o fim da quarentena, iniciada no dia 3 de janeiro. Há cerca de 3.700 embarcados no Diamond Princess.

"Existiam passageiros que faziam reclamações, mas hoje em dia todos eles sabem o quanto nós estamos fazendo por eles e são gratos. Eles querem ir embora, e nós também queremos voltar logo a nossas rotinas normais", conta Soares, que trabalhava no setor de lojas do navio antes da epidemia. "O maior número de infectados foi de passageiros até o momento. Acredito que todos tenham um certo receio e medo de andar pelas áreas deles, justamente por isso."