Brasileiros comparecem em massa para votar em Portugal; polícia reforça segurança

Brasileiros votam em Lisboa

Por Catarina Demony e Miguel Pereira

LISBOA (Reuters) - Artur Dantas mudou-se para Portugal há seis meses por causa da tensão política no Brasil, mas espera que o resultado das eleições de domingo possa permitir que ele e outros voltem para casa um dia.

Dantas e milhares de brasileiros em Lisboa, a cidade com o maior número de eleitores brasileiros fora do país, fizeram fila - alguns por horas - para votar no primeiro turno da eleição presidencial mais polarizada do Brasil em décadas.

Quase 81 mil brasileiros em Portugal estão registrados para votar, com mais da metade indo às urnas em Lisboa. Longas filas também foram relatadas em outras cidades europeias, incluindo Londres e Paris.

O alto comparecimento levou as autoridades brasileiras a manterem os locais de votação de Lisboa abertos até 20h em vez de 17h como inicialmente planejado.

A maioria das pesquisas de opinião mostra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com uma sólida vantagem sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Vim (para Portugal) justamente por causa da tensão política... acredito que Lula vai pacificar o país e muitos brasileiros poderão voltar", disse Dantas, garçom de 23 anos.

A fila para votar em Lisboa se estendia pela universidade de Direito de Lisboa, e os eleitores pareciam profundamente divididos. Houve alguns confrontos e trocas de acusações entre ambos os lados. A polícia portuguesa mobilizou agentes de segurança para evitar violência nas seções eleitorais.

Alguns eleitores usavam camisetas com o nome e o rosto de Lula, enquanto outros vestiam a camisa da seleção brasileira, que se tornou um símbolo dos apoiadores de Bolsonaro.

Mas, do lado de fora da entrada da universidade, Jacilene Maceão, uma faxineira de 53 anos que mora em Portugal há quase duas décadas, vestiu a camisa do Brasil como forma de recuperá-la. Ela quer que Lula vença. "Bolsonaro não fez nada pelo Brasil", disse ela.

Enquanto Jacilene e outros gritavam "Lula", alguns gritavam de volta: "Ladrão!".

Claudio Alves, de 28 anos, que usava um colar com crucifixo, afirmou que Bolsonaro pode tirar o Brasil "do buraco em que está".

"O Brasil é um país muito rico e tem um grande potencial, mas por causa do PT e muitos anos de roubo e corrupção o Brasil está no estado em que está", disse ele, com o filho ao lado. "Quero um Brasil melhor."